Como já amplamente noticiado pelas redes sociais e escondido pela mídia secular, o PLC 122/06 – aquele da “mordaça gay – foi ontem, finalmente, sepultado em votação realizada pelo plenário do Senado por requerimento do Senador Eduardo Lopes (PRB/RJ). Não há dúvida que esse desfecho foi o resultado de muita oração e da pressão do povo evangélico contra um projeto, que, sob o argumento de defender os direitos da minoria, queria implantar a tirania contra a liberdade de expressão. Com a decisão, ele foi apensado ao PLS 236/2012, que trata da reforma do Código Penal, onde, certamente, os seus defensores tentarão de tudo para ressuscitá-lo.
Mas é bom ressaltar que o relator da reforma do Código Penal, Senador Pedro Taques, em seu parecer final, aprovado ontem pela manhã pela Comissão Especial constituída com a finalidade de discutir o projeto, afastou a hipótese da descriminalização do aborto no Brasil, não concordou com a diminuição de 14 para 12 anos a tipificação de menores vulneráveis, não abriu brechas para a legalização das drogas e da prostituição e ainda retirou da proposta expressões como “orientação sexual”, “gênero” e “identidade de gênero” por considerá-las ambíguas e subjetivas.
A título de informação, veja a lista dos senadores que votaram a favor da manutenção do PLC122/06 e dos que foram favoráveis ao seu apensamento à reforma do Código Penal:
Votaram contra o apensamento:
Ana Rita, PT/Espirito Santo
Antonio Carlos Rodrigues, PR/São Paulo
Antonio Carlos Valadares, PSB/Sergipe
Eduardo Suplicy, PT/São Paulo
João Capiberibe, PSB/Amapá
Jorge Viana, PT/Acre
Lídice da Mata, PSB/Bahia
Paulo Davim, PV/Rio Grande do Norte
Paulo Paim, PT/Rio Grande do Sul
Pedro Simon, PMDB/Rio Grande o Sul
Randolfe Rodrigues, PSB/Amapá
Roberto Requião, PMDB/PR
Votaram a favor do apensamento:
Alfredo Nascimento, PR/Amazonas
Aloysio Nunes, PSDB/São Paulo
Álvaro Dias, PSDB/Paraná
Ana Amélia, PP/Rio Grande do Sul
Blairo Maggi, PR/Mato Grosso
Cassio Cunha Lima, PSDB/Paraíba
Cícero Lucena, PSDB/Paraíba
Cristovam Buarque, PDT/Distrito Federal
Cyro Miranda, PSDB/ Goiás
Eduardo Lopes, PRB/Rio de Janeiro
Eunicio de Oliveira, PMDB/Ceará
Flexa Ribeiro, PSDB/Pará
Jader Barbalho, PMDB/Pará
João Durval, PDT/Bahia
João Vicente Claudino, PTB/Piauí
José Agripino, DEM/Rio Grande do Norte
Lindberg Farias, PT/Rio de Janeiro
Magno Malta, PR/Espírito Santo
Mozarildo Cavalcanti, PTB/Roraima
Paulo Bauer, PSDB/Santa Catarina
Pedro Taques, PDT/Mato Grosso
Ricardo Ferraço, PMDB/Espírito Santo
Rodrigo Rollemberg, PSB/Distrito Federal
Ruben Figueiró, PSDB/Mato Grosso do Sul
Sérgio Petecão, PSD/Acre
Sérgio Souza, PR/Paraná
Vital do Rêgo, PMDB/Paraíba
Waldemir Moka, PMDB/Mato Grosso do Sul
Wilder Morais, DEM/Goiás
Abstenção:
José Pimentel, PT/Ceará
Vanessa Grazziotin, PCdoB/Amazonas
Consta que os senadores Walter Pinheiro – evangélico e petista – e o presidenciável Aécio Neves estariam no plenário, mas teriam se retirado na hora da votação. O fato é que uma batalha foi vencida, mas a luta continuará a ser travada, a partir de agora, no âmbito da reforma do Código Penal, quando for votado no plenário do Senado, embora se conheça que o parecer do Senador Pedro Taques não abrigou as propostas dos ideólogos petistas que apoiam as revindicações do movimento gay.
FONTE: Geremias do Couto
quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
Maria teve outros filhos?
Um dos ensinamentos mais controversos da Igreja Católica é a virgindade perpétua de Maria. Essa doutrina diz que Maria continuou sendo uma virgem após o nascimento de Jesus, e que as referências bíblicas que sugerem que Jesus tinha irmãos são, na verdade, referências a primos (Catequismo da Igreja Católica, parágrafo 510).
À medida que a adoração a Maria foi aumentando pelos séculos, a Sagrada Tradição se tornou um meio de promover novas doutrinas não ensinadas explicitamente na Bíblia. A virgindade de Maria é claramente ensinada nas escrituras, quando estas descrevem o nascimento de Jesus. Mas seria essa doutrina da virgindade perpétua justificada através da Bíblia? Maria perdeu sua virgindade depois que Jesus nasceu? A Bíblia revela que Maria teve outros filhos, que Jesus tinha irmãos e irmãs?
A Bíblia não declara que Maria permaneceu uma virgem, e que ela não teve outros filhos. Na verdade, a Bíblia parece ensinar o contrário.
Mateus 1:24-25 - "E José, tendo despertado do sono, fez como o anjo do Senhor lhe ordenara, e recebeu sua mulher;e não a conheceu enquanto ela não deu à luz um filho; e pôs-lhe o nome de JESUS."
Mateus 12:46-47 - "Enquanto ele ainda falava às multidões, estavam do lado de fora sua mãe e seus irmãos, procurando falar-lhe. Disse-lhe alguém: Eis que estão ali fora tua mãe e teus irmãos, e procuram falar contigo."
Mateus 13:55 - "Não é este o filho do carpinteiro? e não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, José, Simão, e Judas?"
Marcos 6:2-3 - "Ora, chegando o sábado, começou a ensinar na sinagoga; e muitos, ao ouví-lo, se maravilhavam, dizendo: Donde lhe vêm estas coisas? e que sabedoria é esta que lhe é dada? e como se fazem tais milagres por suas mãos? Não é este o carpinteiro, filho de Maria, irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão? e não estão aqui entre nós suas irmãs? E escandalizavam-se dele."
João 2:12 - "Depois disso desceu a Cafarnaum, ele, sua mãe, seus irmãos, e seus discípulos; e ficaram ali não muitos dias."
Atos 1:14 - "Todos estes perseveravam unanimemente em oração, com as mulheres, e Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos dele."
1 Coríntios 9:4-5 - "Não temos nós direito de comer e de beber? Não temos nós direito de levar conosco esposa crente, como também os demais apóstolos, e os irmãos do Senhor, e Cefas?"
Gálatas 1:19 - "Mas não vi a nenhum outro dos apóstolos, senão a Tiago, irmão do Senhor."
Uma leitura inicial desses textos bíblicos parece resolver a questão: Jesus tinha irmãos e irmãs. Mas esses textos óbvios são respondidos por teólogos católicos. O argumento principal que eles têm contra esses textos bíblicos é o seguinte:
Em grego, a palavra para irmão é adelphos, e para irmã é adelphe. Essa palavra é usada em contextos diferentes: filhos dos mesmos pais (Mt 1:2; 14:3), descendentes mais distantes (Atos 7:23, 26; Hb 7:5), os judeus como um todo (Atos 3:17,22), etc. Logo, o termo irmão (e irmã) pode se referir aos primos de Jesus, e nesse caso se refere.
Com certeza há algum mérito nesse argumento. Porém, contextos diferentes dão significados diferentes a palavras. Não é correto dizer que, porque uma palavra tem vários significados possíveis, pode-se transferir um significado qualquer para qualquer texto que use a palavra. Em outras palavras, só porque a palavra irmão significa primo em um texto, não significa que ela tem esse mesmo significado em outro texto. Logo, cada versículo deve ser analisado em seu respectivo contexto, para determinar o seu significado.
Vamos analisar brevemente alguns versículos que lidam com os irmãos de Jesus.
Mateus 12:46-47 - "Enquanto ele ainda falava às multidões, estavam do lado de fora sua mãe e seus irmãos, procurando falar-lhe. Disse-lhe alguém: Eis que estão ali fora tua mãe e teus irmãos, e procuram falar contigo."
Mateus 13:55 - "Não é este o filho do carpinteiro? e não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, José, Simão, e Judas?"
Se, nesses dois trechos, os irmãos de Jesus não são realmente seus irmãos, e sim seus primos, então quem é a Sua mãe, e quem é o carpinteiro? Em outras palavras, mãe aqui se refere a Maria. O carpinteiro em Mt 13:55 se refere a José. Literalmente. Ainda assim, os teólogos católicos ainda dirá: "Mesmo o carpinteiro se referindo a José, e a mãe se referindo a Maria, irmãos não significa irmãos, e sim primos." Essa não parece ser uma conclusão legítima. Você não pode mudar todo o sentido contextual no meio de uma frase, a não ser que seja obviamente necessário. O contexto é claro. Esses versículos estão falando sobre José, Maria, e os irmãos de Jesus. O contexto todo é um de relacionamento familiar: pai, mãe e irmãos.
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sexta-feira, 1 de novembro de 2013
A VIRGINDADE PERPETUA DE MARIA, SERÁ?
A IGREJA DE ROMA assegura que a santa Maria, mãe de Jesus, conservou-se virgem até a sua morte:
“Maria permaneceu Virgem concebendo seu Filho, Virgem ao dá-lo à luz, Virgem ao carregá-lo, Virgem ao alimentá-lo de seu seio, Virgem sempre” (C.I.C. p. 143, # 510).
Contestação – Antes do nascimento de Jesus, Maria e José não mantiveram relações íntimas. Nascido Jesus, e passado o período pós-parto, o casal passou a ter uma vida normal de marido e mulher e teve os seguintes filhos: Tiago, José, Simão, Judas e, no mínimo, duas filhas. Esta opinião está alicerçada nos textos abaixo:
“Não é este o filho do carpinteiro? E não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas? Não estão entre nós todas as suas irmãs?” (Mateus 13.55-56; Marcos 6.3).
Corroborando essa afirmação, lemos no mesmo livro de São Mateus:
“Estando Maria, sua mãe (mãe de Jesus), desposada com José, antes que coabitassem, achou-se grávida pelo Espírito Santo. José, seu marido, sendo justo e não querendo difamá-la, resolveu deixá-la secretamente. Projetando ele isso, em sonho lhe apareceu um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber a Maria tua mulher, porque o que nela foi gerado é do Espírito Santo. José, despertando do sonho, fez como o anjo do Senhor lhe ordenara, e recebeu a sua mulher. Mas não a conheceu até que ela deu à luz um filho. E ele lhe pôs o nome de Jesus” (Mt 1.18-20, 24-25).
A expressão “ATÉ QUE” – “não a conheceu até que ela deu à luz um filho” – indica um limite de tempo. Poderíamos traduzir assim: José não manteve relações íntimas com Maria enquanto ela estava grávida de Jesus, aliás, em cumprimento à profecia: “a virgem conceberá e dará à luz um filho …” (Isaías 7.14). Isto é, até o nascimento de Jesus ela manteve-se virgem. Os romanistas interpretam o texto de forma diferente. Dizem que a abstinência de José manteve-se depois do parto de Maria. Para mim, a expressão é clara. Veja o exemplo de uma ordem de uma mãe ao filho: “Você deve ficar em casa até que eu volte”. Então, enquanto a mãe não voltar, o filho ficará em casa. A proibição alcança o tempo em que aquela mãe estiver fora de casa. Depois do seu retorno, o filho poderá sair de casa. Comparativamente, enquanto não nasceu Jesus, José respeitou a virgindade de sua mulher. Jesus realmente nasceu de uma virgem, conforme a Escritura, mas nada prova que Maria tenha continuado virgem.
Lembremo-nos, finalmente, de que Maria “deu à luz a seu filho primogênito…” (Lucas 2.7a). Primogênito, segundo o Dicionário Aurélio, diz-se “daquele que foi gerado antes dos outros, que é o filho mais velho”. Jesus foi, portanto, o filho mais velho de José e Maria, conforme Mateus 13.55-56.
A nossa análise terá como base o seguinte registro: “José, ao despertar do sono, agiu conforme o Anjo do Senhor lhe ordenara e recebeu em casa sua mulher. Mas não a conheceu até o dia em que ela deu à luz um filho. E ele o chamou com o nome de Jesus” (Mateus 1.24-25, Bíblia [católica] de Jerusalém).
A passagem acima diz claramente que José, atendendo ao anjo, recebeu em sua casa a sua esposa Maria, e foram viver como marido e mulher. Está dito que Maria foi a mulher de José; que José não conheceu a sua esposa enquanto ela estava grávida de Jesus; que Jesus nasceu de uma virgem, porque José somente conheceu sua mulher – ou seja, teve relações com ela – depois do nascimento de Jesus.
Católicos há que contestam o que está escrito na Bíblia, e dizem que “nas Sagradas Escrituras a expressão “até que” é empregada muitas vezes para indicar um tempo indeterminado, e não para marcar algo que ainda não aconteceu”. Não iremos nos estender na refutação dessa tese porque as duas bíblias de início citadas, aprovadas pelo catolicismo, interpretam corretamente referido versículo, como a seguir:
“Mas [José] não a conheceu até o dia em que ela deu à luz um filho, e ele o chamou com o nome de Jesus”: “O texto não considera o período ulterior [depois do parto] e por si não afirma a virgindade perpétua de Maria, mas o resto do Evangelho, bem como a tradição da Igreja, a supõem” (Comentário da Bíblia [católica] de Jerusalém).
Em outras palavras, os exegetas católicos, que trabalharam na edição da referida Bíblia, reconheceram o óbvio, ou seja, que até o nascimento de Jesus, José e Maria não se “conheceram”. Todavia, dizem bem quando entendem que a Tradição “supõe”, isto é, o dogma da perpétua virgindade de Maria é uma suposição, não uma realidade bíblica. O comentário acima coloca por terra argumentos outros não oficiais, segundo os quais José não conheceu sua esposa nem antes nem depois do nascimento de Jesus.
Outro comentário: “Enquanto (ou até que): esta palavra portuguesa traduz o latim donec e o grego heos ou, que por sua vez estão calcados sobre a expressão hebraica ad ki que se refere ao tempo anterior a esse limite sem nada dizer do tempo posterior, cf. Gn 8.7;Sl 109.1; Mt 12.20; 1 Tm 4.13. A tradução exata seria: “sem que ele a tivesse conhecido, deu à luz…”, pois a nossa expressão “sem que” tem o mesmo valor” (Bíblia [católica] Sagrada).
O que a Bíblia acima está dizendo em seus comentários é que o “ATÉ” não foi ALÉM do nascimento de Jesus, ou seja, enquanto grávida e até dar à luz não houve “conhecimento” mútuo do casal.
Concordando com as Bíblias Católicas, a Bíblia Apologética, usada pelos evangélicos, assim esclarece: “Veja a preposição “até” em qualquer concordância bíblica e ficará surpreso a respeito do seu significado. Observe alguns exemplos: Levíticos 11.24-25: “E por estes sereis imundos: qualquer que tocar os seus cadáveres, imundo será ATÉ à tarde”. E depois da tarde, eles permaneceriam imundos? Vejamos agora Apocalipse 20.3: “E lançou-o no abismo, e ali o encerrou, e pôs selo sobre ele, para que não mais engane as nações, ATÉ que os mil anos se acabem. E depois importa que seja solto por um pouco tempo”. Assim, a relação existente antes do nascimento de Jesus se modificou [como se modificou a situação de Satanás após os mil anos de prisão], não a conheceu até que ela deu à luz. Essa passagem declara que, depois do nascimento de Jesus, José e Maria tiveram uma vida conjugal normal, como qualquer outro casal. Nenhum autor do Novo Testamento ensina a doutrina da virgindade perpétua de Maria. Se se tratasse de uma doutrina ou ensinamento vital ou essencial como requer o catolicismo, certamente Paulo e os outros discípulos teriam mencionado a respeito. Assim resta ao catolicismo romano apegar-se à tradição, porque a Bíblia não aceita essa teoria (Colossenses 2.8)”.
A expressão “não coabitou com Maria ATÉ QUE nascesse Jesus” está muito clara. Ligada à fala do anjo que disse a José que RECEBESSE Maria, sua mulher, ficou entendido que passado o período da gravidez e do descanso depois do parto, José e Maria, marido e mulher, continuariam uma vida a dois como todos os casais do mundo. Assim aconteceu, pois tiveram muitos filhos, conforme está em Mateus 13.55-56. José e Maria constituíram um casal muito feliz e foram abençoados por Deus. E por ter filhos, por amar o seu esposo, por ter sido mãe, Maria não pecou nem perdeu a sua santidade. Maternidade e santidade podem caminhar juntas, sem que uma prejudique a outra. Sexo no casamento não é pecado.
Houve ordem divina para que José não “conhecesse” sua mulher?
Se não havia a intenção formal nem de José nem de Maria, de viverem sem relações íntimas, embora residissem sob o mesmo teto, teria havido alguma ordem divina nesse sentido? O leitor deverá ler cuidadosamente Mateus 1.18-25 e Lucas 1.26-38 para verificar a inexistência de qualquer tipo de impedimento. A resposta de Maria ao anjo – “Como é que vai ser isso, se eu não conheço homem algum?” (Lc 1.34) – pode ser interpretada como um voto de virgindade?
A Bíblia [católica] de Jerusalém, em seus comentários, responde: “A “virgem” Maria é apenas noiva (v.27) e não tem relações conjugais (sentido semítico de “conhecer”, cf. Gn 4.1; etc.). Esse fato, que parece opor-se ao anúncio dos vv. 31-33, induz à explicação do v. 35. NADA NO TEXTO IMPÔE A IDÉIA DE UM VOTO DE VIRGINDADE” (realce acrescentado).
Autor: Pr. Airton Evangelista da Costa
Extraído do site palavradaverdade.com
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A VIRGINDADE PERPETUA DE MARIA,
SERÁ?
sexta-feira, 6 de setembro de 2013
IGREJA X IMPOSTOS
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| Pr. Edrisse em visita a Câmara dos Deputados |
Muito se fala sobre o tal
privilégio das igrejas de não pagarem impostos, por serem organizações sem fins
lucrativos, isto, é Filantrópicas. Uns acreditam que as igrejas deveriam pagar
impostos, pois muitos Ministros quer seja evangélicos, ou católicos, ou
qualquer outro, ficam ricos por terem super salários de suas entidades. Isso,
porém não vem de agora, pois o Próprio apóstolo Paulo já advertia Timóteo
sobre aqueles que entram nas igrejas com o intuito de obter lucro através do
ministério, (Tm. Cap. 6 Ver. 3-10). Outro dia comprei um jornal desses fundo de
quintal que vende na Farmácia BIG BEN (BEN é com N mesmo) que tinha como
matéria chave a tal questão do privilégio que a igreja tem de não pagar
imposto. Lógico que eles estavam desgraçando a igreja, dizendo que ela é rica
tem muitas posses e que as igrejas causam um rombo de bilhões nos cofres
públicos e que os pastores são todos uns milionários. Mas precisamos ouvir o
contraditório!!!
MINHA REFUTAÇÃO:
Claro que concordo que tem
muita gente mau caráter nesse mundo que se utiliza da fé alheia e da religião
para tirar proveito, isso não é novidade, (Como se fosse só da fé que as
pessoas tirassem proveito), todavia isso é um argumento muito baixo, visto que
os políticos trabalham bem menos do que os verdadeiros ministros do Evangelho
em prol da sociedade e são muito bem e até demais remunerados pelo seu péssimo
serviço. Quantos deles acordam de madrugada para socorrer doentes e gravidas em
trabalho de parto? Quantos deles vão nas casas de famílias aconselhar casais
para um melhor convívio, sem brigas violência, etc., evitando prisões por conta
da Maria da Penha? Quantos deles saem do seu gabinete para atender drogados,
mendigos, bêbados e outros mais? Para falar a verdade, nem as ambulâncias que
eles nos oferecem, nem hospitais, nem seus centros de reabilitação, tem mais
efeito do que a igreja. Já foi constatado por vários órgãos de pesquisa, que a
igreja regenera um viciado muito mais rápido e em maior quantidade do que
qualquer órgão do governo.
Na verdade eles estão no
lucro, pois se gastassem o dinheiro do governo com todos esses serviços sociais
providos pela igreja eles estavam falidos. No fim das contas se eles fossem
pagar pelos inúmeros serviços prestados, eles estariam nos devendo, e muito.
O GOVERNO ESTÁ É
ECONOMIZANDO POR CONTA DO TRABALHO DA IGREJA. ESSA TROCA ATÉ QUE ESTÁ JUSTA!
Por Edrisse Pinho,
Pastor, teólogo e Conferencista
quarta-feira, 22 de maio de 2013
A RELIGIÃO É O ÓPIO DO POVO?
Tenho ouvido muitas vezes a
famosa citação de que a “Religião é o ópio do povo” de muitos irreligiosos, agnósticos,
ateus etc... para afirmar que a religião cega ou alucina ou dar falsas
esperanças aqueles que á segue. É interessante essa citação pela falta de veracidade
de como ela é reverberada. Nesse breve comentário venho tentar desmistificar
essa tal afirmação. Para tal é necessário fazer usos de alguns termos etimológicos
para chegarmos a total compreensão.
O QUE É ÓPIO?
O ópio é um suco espesso que
se extrai dos frutos
imaturos de várias espécies de papoilas soníferas, e que é utilizada como narcótico.
O uso do ópio mascado ou fumado, que se
espalhou no Oriente,
provoca euforia,
seguida de um sono
onírico;
o uso repetido conduz ao hábito, à dependência química, e a seguir a uma
decadência física e intelectual, uma vez que é efetivamente um veneno
estupefaciente.
KARL MARX.
Embora muitos dos que
recitam a famosa citação atribuam a Marx, ele apenas a popularizou. A tal frase
já havia sido dita em escritos de Immanuel Kant,
Herder,
Ludwig
Feuerbach, Bruno Bauer, Moses Hess
e Heinrich
Heine. Marx só haveria de popularizá-la em 1844 com a Crítica da Filosofia do Direito de
Hegel. Nesta publicação o contexto original retrata que a religião,
é coisa da cabeça do homem e que ela tgem um papel de dar uma falsa esperança
do contexto real que se vive, visto que para Marx a religião inverte a consciência
do que se tem no mundo. Segundo Marx a religião tem o poder de fantasiar a
realidade assim como o ópio tem o poder de alucinar e tirar o homem da
realidade, tipo uma droga como o crack. Para Marx o homem na religião deixa de
ver muitas desgraças, miséria da humanidade e vive numa ilusão. Marx considera
que a religião é uma forma de alienação. Nela verifica-se a fratura entre o
mundo concreto e um mundo ideal, entre o mundo em que o homem vive e o mundo em
que ele desejaria viver. Por que razão surge esse mundo ideal? Marx diz que o
mundo celeste é o resultado de um protesto da criatura oprimida contra o mundo
em que vive e sofre. Ou seja, procura-se um refúgio no mundo divino porque o
mundo em que o homem vive é desumano. Num mundo em que "o homem é o lobo
do homem", não há "família humana", o homem não se sente neste
mundo como em sua casa. O mundo religioso, o "Reino de Deus", não tem
consistência própria, não é verdadeiramente real. É um "reflexo" de
degradantes condições materiais de vida, da opressão da grande maioria dos
homens por outros. É a "flor imaginária" que decora os grilhões que
oprimem os explorados; é o "suspiro" de quem se vê degradado na sua humanidade,
transformado em objeto e máquina produtiva que quanto mais enriquece os
exploradores mais se empobrece a si mesmo. Segundo Marx, da religião o homem
não pode esperar a sua libertação e emancipação. Ela é um "sintoma"
da desumanidade do mundo dos homens e não o remédio para esse mal. Mais do que
isso, ela é um "ópio", um produto tóxico, que entorpece, aliena e
enfraquece porque a esperança de consolação e de prometida justiça no
"outro mundo" transforma o explorado e oprimido num ser resignado,
tende a afastá-lo da luta contra as causas reais do seu sofrimento.
MAS SERÁ TUDO ISSO VERDADE?
Sabe-se, que o pensamento de
Marx estava diretamente voltado para sua grande luta, a questão da política
social, luta que era travada frente a um grupo de filósofos sociais que estavam
desculpando toda a injustiça, a desigualdade social mantidas pela classe
dominante; acusando a religião, responsabilizando-a por fomentar as ilusões
religiosas da grande massa oprimida
Sabemos que a igreja
católica sempre escondeu as verdades bíblicas por mais ou menos 10 séculos, com
Bíblias somente em Latim e é claro só os clérigos sabiam falar, isso não
podemos esconder. No entanto essa escuridão fica somente na parte religiosa,
sabe-se que a igreja católica foi a pioneira em criação de Universidades no
mundo, criando cursos de teologia, para monges, Direito e Medicina Para as
demais Classes. Como se pode dizer que a religião é o ópio do povo quando a
mesma cria centros de estudos visando dar uma ideia mais critica da vida? Se
hoje temos uma formação superior, qualquer que seja ela, isso se deve ao
cristianismo. A primeira Universidade do mundo Ocidental foi a de Bolonha
(1158), na Itália, que teve a sua origem na fusão da escola episcopal com a
escola monacal camaldulense de São Félix. Em 1200 Bolonha tinha dez mil
estudantes (italianos, lombardos, francos, normandos, provençais, espanhóis,
catalães, ingleses germanos, etc.). A segunda, e que teve maior fama foi a
Universidade de Paris, a Sorbone, que surgiu da escola episcopal da Catedral de
Notre Dame. Foi fundada pelo confessor de S. Luiz IX, rei de França, Sorbon.
Ali foram estudar muitos grandes nomes como Inácio de Loyola, Francisco Xavier
e Tomás de Aquino. A universidade de Paris (Sorbonne) era chamada de “Nova
Atenas” ou o “Concílio perpétuo das Gálias”, por ser especialmente voltada à
teologia. O que falar então da famosa universidade de Oxford, na Inglaterra que
surgiu de uma escola monacal organizada como universidade por estudantes da
Sorbone de Paris. Dentre outras mais!
O LADO BIBLICO DA COISA!
Como a religião é o ópio do
povo que até mesmo a Bíblia se encarrega de nos mostrar o lado negro do mundo,
sofrimentos, pestes, terremotos, fomes, etc.. (Ver o sermão de Mateus cap. 24),
o próprio Jesus disse no evangelho de João cap. 16 versículo 33 que nesse mundo
teríamos aflições, (desemprego, doença, brigas, crises psicológicas, etc...)
UMA CURIOSIDADE!
Karl Marx era filho de
família rica, não passou necessidade, não teve sofrimentos nem frustrações,
aparentemente, com sua família Porém foi acometido por uma rebelião contra
Deus, contra a religião de difícil compreensão. Não era a defesa da laicidade
que pregava e sim, claramente, contra Deus, não era um descredito de um mito,
mas uma clara oposição a alguém que ele sabia que existia e resolveu lutar
contra. Um jovem que sonhava com justiça social, amor ao próximo cheio de
sonhos, como poderia ter agora declarações tão pessimistas e tão revoltantes
contra um Deus que ele dizia amar e conhecer. Ele era tão comunista que nem se
quer dividiu sua grana com os pobres.
Escrito por: Edrisse Pinho, Pastor Teólogo e Conferencista.
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segunda-feira, 13 de maio de 2013
Os Pecados da Santa Sé
O historiador norte-americano, Garry Wills, católico praticante, em seu livro Papal Sin (Pecado Papal) na primeira parte do livro aborda as desonestidades históricas da Igreja, mostrando, em resumo, como a hierarquia católica persiste no apelo à mentira e, por muitos anos, camuflou o comportamento de Pio XII (1939-1958) face ao holocausto, só agora devassado por Gorwell, Susan Zucotti (autoria de duas pesquisas sobre as relações do Vaticano com o fascismo), Frank J. Coppa (Controversial Concordats: The hatican’s Relations With Napoleon, Mussolini, and Hitler), Mark Aarons e John Loftus (Un holy Trinity: The Vatican, the Nazis, and the Swiss Banks), e Michael Phayer (The Catholic Church and the Holocaust, 1930-1965, a ser laçado pela Indiana University Press em setembro). Para Wills, a Santa Sé acumula em seu currículo um formidável acervo de tortuosa interpretação das Sagradas Escrituras, de distorcidas visões da história eclesiástica, de lamúrias hipócritas e deslavadas mentiras. O culto à Virgem Maria, inexiste nas Escrituras e entre os católicos, durante quatro séculos, é apenas um dos muitos abusos históricos que, a seu ver; a Igreja cometeu. Exorbitância cujo ápice teria sido a idolatria à Nossa Senhora de Fátima e aos mistérios a ela ligados, todos “manipulados pela Igreja” para fins políticos – além de discutíveis, à medida que dois deles referiam-se a previsões (supostamente feitas em 13 de julho de 1917) de fatos já ocorridos ou em andamento uma nova guerra mundial, um novo papa quando sua única testemunha viva, Lúcia, tornou-as públicas, em 1941(O Estado de S. Paulo -D-17- Sábado, 5 de agosto de 2000).
O culto aos santos só começa a partir de cem anos aproximadamente, depois da morte de Jesus, com uma tímida veneração aos mártires. A primeira oração dirigida expressamente à Mãe de Deus é a invocação Sub tuum praesidium, formulada no fim do século 3 ou mais provavelmente no início do século 4. Não podemos dizer que a veneração dos santos – e muito menos a da Mãe de Cristo – faça parte do patrimônio original (“O Culto a Maria Hoje”. Vários autores, sob a direção de Wolfgang Bemert, Edições Paulinas, 1980, 3a. edição, p. 33).
Série Apologética, ICP
Série Apologética, ICP
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segunda-feira, 10 de setembro de 2012
JESUS PODERIA TER PECADO NO DESERTO?
Pergunta: "Jesus poderia ter pecado? Se Ele não era capaz de pecar, como é que Ele é capaz de 'compadecer-se das nossas fraquezas' (Hebreus 4.15)? Se Ele não podia pecar, qual foi o propósito da tentação?"
Ainda que o Novo Testamento seja claro em afirmar que Jesus era plenamente humano exatamente como nós, também afirma que Jesus era diferente em um aspecto importante: ele era isento de pecado e jamais cometeu um pecado durante sua vida. Alguns objetam que se Jesus não pecou, então não era verdadeiramente humano, pois todos os humanos pecam. Mas os que fazem tal objeção simplesmente não percebem que os seres humanos estão agora numa situação anormal Deus não nos criou pecaminosos, mas santos e justos. Adão e Eva no jardim do Éden eram verdadeiramente humanos antes de pecar, e nós agora, apesar de humanos, não nos conformamos ao padrão que Deus deseja que preenchamos quando nossa humanidade plena, impecável, for restaurada.
A impecabilidade de Jesus é ensinada com freqüência no Novo Testamento. Vemos indicações disso no início da vida dele quando encheu-se de sabedoria e quando “a graça de Deus estava sobre ele” (Lc 2.40). Depois vemos que Satanás foi incapaz de obter sucesso ao tentar Jesus, não conseguindo, após quarenta dias, convencê-lo a pecar: “Passadas que foram as tentações de toda sorte, apartou-se dele o diabo, até momento oportuno” (Lc 4.13). Também não vemos nos evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas) nenhum indício de erros da parte de Jesus. Para os judeus que se opunham a ele, Jesus perguntou: “Quem dentre vós me convence de pecado?” (Jo 8.46) e não recebeu resposta.
As declarações a respeito da impecabilidade de Jesus são mais explícitas no evangelho de João. Jesus fez a surpreendente proclamação: “Eu sou a luz do mundo” (Jo 8.12). Se compreendermos que a luz representa tanto a fidedignidade como a pureza moral, então aqui Jesus está alegando ser a fonte da verdade e a fonte da pureza moral e da santidade no mundo - uma alegação estarrecedora que poderia ser feita só por alguém isento de pecado. Além disso, com respeito à obediência a seu Pai no céu, ele disse: “eu faço sempre o que lhe agrada” (Jo 8.29; o tempo presente dá o sentido de atividade contínua: “estou sempre fazendo o que lhe agrada”). Ao final da vida Jesus pôde dizer: “... eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai e no seu amor permaneço” (Jo 15.10). É significativo que quando Jesus foi julgado diante de Pilatos, apesar das acusações dos judeus, Pilatos só pôde concluir: “Eu não acho nele crime algum” (Jo 18.38).
No livro de Atos, muitas vezes Jesus é chamado “o Santo”, “o Justo” ou alguma expressão semelhante (veja At 2.27; 3.14; 4.30; 7.52; 13.35). Quando Paulo fala de Jesus vivendo como homem, tem o cuidado de não dizer que ele assumiu “carne pecaminosa”, mas, antes, que Deus enviou o próprio filho “em semelhança de carne pecaminosa e no tocante ao pecado” (Rm 8.3). E ele se refere a Jesus como “aquele que não conheceu pecado” (2Co 5.21).
O autor de Hebreus afirma que Jesus foi tentado mas, ao mesmo tempo, insiste que ele não pecou: Jesus foi “tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado” (Hb 4.15). Ele é um sumo sacerdote “santo, inculpável, sem mácula, separado dos pecadores e feito mais alto do que os céus” (Hb 7.26). Pedro fala de Jesus como “cordeiro sem defeito e sem mácula” (1Pe 1.19), empregando figuras do Antigo Testamento para afirmar sua isenção de qualquer mácula moral. Pedro declara diretamente que ele “não cometeu pecado”, nem dolo algum se achou em sua boca (1Pe 2.22). Quando Jesus morreu, foi “o justo pelos injustos”, para nos conduzir a Deus (1Pe 3.18). E João, na primeira epístola, chama-o “Jesus Cristo, o justo”, e diz que “nele não existe pecado” (1Jo 3.5). É difícil negar, portanto, que a impecabilidade de Cristo é ensinada de maneira clara em todas as seções importantes do Novo Testamento. Ele era realmente humano, mas sem pecado.
Juntamente com a impecabilidade de Jesus, devemos notar de modo mais detalhado a natureza de suas tentações no deserto (Mt 4.1-11; Mc 1.12-13; Lc 4.1-13). A essência dessas tentações era uma tentativa de convencer Jesus a escapar da dura trilha da obediência e do sofrimento que lhe fora designado como o Messias. Jesus “foi guiado pelo [...] Espírito, no deserto, durante quarenta dias, sendo tentado pelo diabo” (Lc 4.1-2). Em muitos aspectos, essa tentação forma um paralelo com a tentação enfrentada por Adão e Eva no jardim do Éden, mas foi muito mais difícil. Adão e Eva tinham comunhão com Deus e um com o outro e abundância de todos os tipos de comida, pois receberam ordens só de não comer de uma árvore. Contrastando com isso, Jesus não tinha comunhão com seres humanos nem comida com que se alimentar e, depois de jejuar quarenta dias, estava a ponto de morrer fisicamente. Em ambos os casos, o que se exigia não era uma obediência a um princípio moral eterno arraigado no caráter de Deus, mas um teste de obediência pura a uma instrução específica de Deus. A Adão e Eva, Deus ordenou que não comessem da árvore do conhecimento do bem e do mal, e a questão era se obedeceriam simplesmente por Deus lhes ter falado. No caso de Jesus, “guiado pelo Espírito” por quarenta dias no deserto, ao que parece, ele compreendeu que era vontade do Pai que nada comesse durante aqueles dias e simplesmente permanecesse ali até que o Pai, pela direção do Espírito Santo, lhe dissesse que a tentação estava encerrada e que ele podia partir.
Podemos compreender, portanto, o significado da tentação: “Se és o Filho de Deus, manda que esta pedra se transforme em pão” (Lc 4.3). É claro que Jesus era o Filho de Deus, e é claro que ele tinha o poder para transformar instantaneamente qualquer pedra em pão. A tentação era intensificada pelo fato de parecer que perderia a vida, caso não comesse logo. Mas ele viera para obedecer perfeitamente a Deus, em nosso lugar, e deveria fazê-lo como homem. Isso significava que tinha de obedecer só em seu poder humano. Se tivesse recorrido a seus poderes divinos para tornar mais fácil para si a tentação, não teria obedecido plenamente a Deus como homem. A tentação era empregar seu poder divino para “fraudar” o cumprimento das exigências, tornando a obediência um pouco mais fácil. Mas Jesus, em contraste com Adão e Eva, recusou-se a comer o que parecia bom e necessário para si, optando por obedecer à ordem de seu Pai celestial.
A tentação de curvar-se e cultuar Satanás por um momento e depois receber autoridade sobre “todos os reinos do mundo” (Lc 4.5) era a tentação de receber o poder não pelo caminho da obediência vitalícia a seu Pai celestial, mas pela submissão ilícita ao Príncipe das Trevas. De novo, Jesus rejeitou o caminho aparentemente fácil e escolheu o caminho da obediência que levava à cruz.
De modo semelhante, a tentação de jogar-se do pináculo do templo (Lc 4.9-11) era a tentação de “forçar” Deus a realizar um milagre e resgatá-lo de maneira espetacular, atraindo assim grande séquito dentre o povo, sem prosseguir no duro caminho que tinha à frente, o caminho que incluía três anos ministrando às necessidades das pessoas, ensinando com autoridade e exemplificando a santidade absoluta de vida em meio a dura oposição. Mas, de novo, Jesus resistiu a esse “caminho fácil” para cumprimento de seus alvos como o Messias (de novo, uma rota que de fato não cumpriria, de maneira alguma, aqueles alvos).
Essas tentações eram de fato a culminação de um processo vitalício de fortalecimento e amadurecimento moral que ocorreu durante toda a infância e início da vida adulta de Jesus, enquanto ele “crescia [...] em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus” (Lc 2.52) e quando “aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu” (Hb 5.8). Nessas tentações no deserto e nas várias tentações que enfrentou durante os trinta e três anos de sua vida, Cristo obedeceu a Deus em nosso lugar e como nosso representante, obtendo dessa forma sucesso onde Adão falhou, onde o povo de Israel no deserto falhou e onde nós falhamos (Rm 5.18-19).
Por mais difícil que nos seja compreender, as Escrituras afirmam que nessas tentações Jesus tornou-se capaz de nos compreender e de nos ajudar em nossas tentações. “Pois, naquilo que ele mesmo sofreu, tendo sido tentado, é poderoso para socorrer os que são tentados” (Hb 2.18). O autor prossegue e liga a capacidade de Jesus em entender nossas fraquezas ao fato de ter sido tentado como nós somos: “Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado. Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna” (Hb 4.15-16).
Isso tem uma aplicação prática para nós: em toda situação em que estivermos lutando contra uma tentação, devemos refletir sobre a vida de Cristo e perguntar se não houve situações semelhantes enfrentadas por ele. Em geral, depois de refletir por alguns instantes, seremos capazes de perceber alguns casos na vida de Cristo em que ele enfrentou tentações que, embora não iguais em todos os aspectos, foram bem parecidas com as situações que enfrentamos todos os dias.
Jesus poderia ter pecado?
Às vezes levanta-se esta questão: “Cristo podia ter pecado?” Alguns defendem a impecabilidade de Cristo, entendendo por impecável “não sujeito a pecar”. Outros objetam que se Jesus não fosse capaz de pecar, suas tentações não teriam sido reais, pois como uma tentação seria real, se a pessoa que estivesse sendo tentada não fosse mesmo capaz de pecar?
Para responder a essa pergunta, precisamos distinguir, por um lado, o que as Escrituras afirmam claramente e, por outro lado, o que é mais uma inferência de nossa parte:
(1) As Escrituras afirmam claramente que Cristo jamais pecou de fato. Não deve haver nenhuma dúvida a esse respeito em nossa mente.
(2) Elas também afirmam que Jesus foi tentado e que as tentações foram reais (Lc 4.2). Se cremos na Bíblia, precisamos insistir que Cristo foi “tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado” (Hb 4.15). Se nossa especulação sobre essa questão de Cristo poder ou não ter pecado leva-nos a dizer que ele não foi verdadeiramente tentado, então chegamos a uma conclusão errada, a uma conclusão que contradiz afirmações claras das Escrituras.
(3) Também precisamos afirmar com as Escrituras que “Deus não pode ser tentado pelo mal” (Tg 1.13). Mas aqui a questão torna-se difícil: se Jesus era plenamente Deus e também plenamente humano (e vamos argumentar adiante que as Escrituras ensinam isso várias vezes e de maneira clara), então não somos obrigados também a afirmar que (em algum sentido) Jesus também “não pode ser tentado pelo mal”?
Isso é tudo o que podemos dizer pelas afirmações claras e explícitas das Escrituras. Nesse ponto ficamos diante de um dilema semelhante a uma série de outros dilemas doutrinários em que as Escrituras parecem ensinar coisas que, se não são diretamente contraditórias, são pelo menos muito difíceis de harmonizar em nosso entendimento. Por exemplo, com respeito à doutrina da Trindade, afirmamos que Deus existe em três pessoas e que cada uma é plenamente Deus e que existe um Deus. Ainda que essas afirmações não sejam contraditórias, é difícil compreendê-las em ligação uma com a outra e, ainda que possamos obter avanços na compreensão de como se ligam, pelo menos nesta vida temos de admitir que não pode haver compreensão plena de nossa parte. As Escrituras não nos dizem que “Jesus foi tentado” e que “Jesus não foi tentado” (uma contradição, caso “Jesus” e “tentado” sejam empregados exatamente no mesmo sentido em ambas as frases). A Bíblia nos diz que “Jesus foi tentado”, que “Jesus era plenamente homem”, que “Jesus era plenamente Deus” e que “Deus não pode ser tentado”. Essa combinação de ensinos da Bíblia nos deixa aberta a possibilidade de que quando compreendermos como a natureza humana e divina de Jesus agem em conjunto, poderemos compreender melhor como ele podia ser tentado em um sentido e, ainda assim, não ser tentado em outro sentido.
Nesse ponto, portanto, vamos além das afirmações claras da Bíblia e tentamos apresentar uma solução para o problema de Cristo poder ou não cometer pecado? Mas é importante reconhecer que a seguinte solução é por natureza mais um jeito de combinar vários ensinos bíblicos, não sendo diretamente sustentada por declarações explícitas das Escrituras. Tendo isso em mente, é adequado dizer:
(1) Se a natureza humana tivesse existido por si só, independentemente de sua natureza divina, teria sido a mesma natureza humana que Deus deu a Adão e a Eva. Estaria isenta de pecado, mas mesmo assim seria capaz de pecar. Por conseguinte, se a natureza humana de Jesus tivesse existido por si, haveria a possibilidade abstrata ou teórica de Jesus ter pecado, assim como a natureza humana de Adão e Eva era capaz de pecar.
(2) Mas a natureza humana jamais existiu à parte da união com sua natureza divina. Desde o momento de sua concepção, ele existiu como verdadeiro Deus e também verdadeiro homem. Tanto sua natureza humana como sua natureza divina existiram unidas em uma pessoa.
(3) Embora Jesus tivesse experimentado algumas coisas (tais como fome, sede ou fraqueza) só em sua natureza humana e não em sua natureza divina um ato pecaminoso seria um ato moral que, aparentemente, teria envolvido toda a pessoa de Cristo. Assim, se tivesse pecado, isso teria envolvido sua natureza divina bem como a humana.
(4) Mas se Jesus como pessoa tivesse pecado, implicando tanto a natureza humana como a divina no pecado, então o próprio Deus teria pecado e teria deixado de ser Deus. Mas é claro que isso é impossível por causa da santidade infinita da natureza de Deus.
(5) Assim, se perguntarmos se de fato era possível Jesus pecar, parece que precisamos concluir que isso não era possível. A união de sua natureza humana e divina em uma pessoa o impedia de pecar.
Mas a pergunta continua de pé: “Como, então, as tentações de Jesus podiam ser reais?” O exemplo da tentação de transformar pedras em pães é útil nesse sentido. Por causa de sua natureza divina, Jesus tinha a capacidade de realizar esse milagre, mas, se o fizesse, já não estaria obedecendo só na força de sua natureza humana, teria fracassado na prova em que Adão também fracassou e não teria conquistado para nós a salvação. Assim, Jesus recusou-se a recorrer à sua natureza divina para tornar a obediência mais fácil para si. De modo semelhante, parece certo concluir que Jesus enfrentou cada tentação do pecado, não por seu poder divino, mas só na força de sua natureza humana (embora, é claro, não fosse “só”, porque Jesus, ao exercer o tipo de fé que os homens devem exercer, dependia de Deus Pai e do Espírito Santo em todos os momentos). A força moral de sua natureza divina estava ali como um tipo de “barreira” que, em todo caso, o impediria de pecar (e, por conseguinte, podemos dizer que ele não podia pecar), mas ele não podia fiar-se na força de sua natureza divina para enfrentar as tentações como maior facilidade, e sua recusa em transformar pedras em pão no início de seu ministério é uma clara indicação disso.
Nesse caso, as tentações eram reais? Muitos teólogos destacam que só aquele que consegue resistir à tentação até o fim sente plenamente a força da tentação. Assim como um campeão de halterofilismo que consegue levantar e manter sobre a cabeça o maior peso na prova sente mais plenamente a carga do que a pessoa que tenta levantá-lo, mas o derruba, assim também qualquer cristão que consegue enfrentar a tentação até o fim sabe que isso é muito mais difícil do que logo dar lugar a ela. É o que ocorre com Jesus: cada tentação que enfrentou, enfrentou-a até o fim e a venceu. As tentações eram reais, ainda que não cedesse a elas. De fato, foram mais reais porque ele não cedeu a elas.
Que diremos, então, do fato de que “Deus não pode ser tentado pelo mal” (Tg 1.13)? Parece que isso faz parte de uma série de afirmações que precisamos fazer a respeito da natureza divina de Jesus, mas não de sua natureza humana. Essa natureza divina não podia ser tentada pelo mal, mas sua natureza humana podia, e é claro que foi tentada. Como essas duas naturezas uniam-se em uma pessoa ao enfrentar tentações? A Bíblia não nos explica de maneira clara. Mas essa distinção entre o que se aplica a uma natureza e o que se aplica a outra é um exemplo de uma séria de declarações semelhantes que a Bíblia exige que façamos.
Concluímos: Jesus não podia pecar!
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JESUS PODERIA TER PECADO NO DESERTO?
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
AS 95 TESES DE LUTERO
[Essas teses foram afixadas na porta da igreja do Castelo de Wittenberg a 1o de outubro de 1517. Era esse o modo usual de se anunciar uma disputa, instituição regular da vida universitária e não havia nada de dramático no ato. Lutero confiava receber o apoio do papa pelo fato de revelar os males do tráfico das indulgências.]
Uma disputa do Mestre Martinho Lutero, teólogo, para elucidação da virtude das indulgências.
Com um desejo ardente de trazer a verdade à luz, as seguintes teses serão defendidas em Wittenberg sob a presidência do Rev. Frei Martinho Lutero, Mestre de Artes, Mestre de Sagrada Teologia e Professor oficial da mesma. Ele, portanto, pede que todos os que não puderem estar presentes e disputar com ele verbalmente, o façam por escrito. Em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.
1. Nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo em dizendo "Arrependei-vos, etc.), afirmava que toda a vida dos fiéis deve ser uma ato de arrependimento.
2. Essa declaração não pode ser entendida como o sacramento da penitência (i. e., confissão e absolvição) que é administrado pelo sacerdócio.
3. Contudo, não pretende falar unicamente de arrependimento interior; pelo contrário, o arrependimento interior é vão se não produz externamente diferentes espécies de mortificação da carne.
4. Assim, permanece a penitência enquanto permanece o ódio de si (i. e., verdadeira penitência interior), a saber, o caminho reto para entrar no reino dos céus.
5. O papa não tem o desejo nem o poder de perdoar quaisquer penas, exceto aquelas que ele impôs por sua própria vontade ou segundo a vontade dos cânones.
6. O papa não tem o poder de perdoar culpa a não ser declarando ou confirmando que ela foi perdoada por Deus; ou, certamente, perdoado os casos que lhe são reservados. Se ele deixasse de observar essas limitações a culpa permaneceria.
7. Deus não perdoa a culpa de ninguém sem sujeitá-lo à humilhação sob todos os aspectos perante o sacerdote, vigário de Deus.
8. Os cânones da penitência são impostas unicamente sobre os vivos e nada deveria ser imposta aos mortos segundo eles.
9. Por isto o Espírito Santo nos beneficia através do papa, mas sempre faz exceção de seus decretos no caso da iminência da morte e da necessidade.
10. Os sacerdotes que no caso de morte reservam penas canônicas para o purgatório agem ignorante e incorretamente.
11. Esta cizânia que se refere à mudança de penas canônicas em penas no purgatório certamente foi semeada enquanto os bispos dormiam.
12. As penitências canônicas eram impostas antigamente não depois da absolvição, mas antes dela, como prova de verdadeira contrição.
13. Os moribundos pagam todas as suas dívidas por meio de sua morte e já estão mortos para as leis dos cânones, estando livres de sua jurisdição.
14. Qualquer deficiência em saúde espiritual ou e amor por parte de um homem moribundo deve trazer consigo temor, e quanto maior for a deficiência maior deverá ser o temor.
15. Esse temor e esse terror bastam por si mesmos para produzir as penas do purgatório, sem qualquer outra coisa, pois estão pouco distante do terror do desespero.
16. Com efeito, a diferença entre Inferno, Purgatório e Céu parece ser a mesma que há entre desespero, quase-desespero e confiança.
17. Parece certo que para as almas do purgatório o amor cresce na proporção em que diminui o terror.
18. Não parece estar provado, quer por argumentos quer pelas Escrituras, que essas almas estão impedidas de ganhar méritos ou de aumentar o amor.
19. Nem parece estar provado que elas estão seguras e confiantes de sua bem-aventurança, ou, pelo menos, que todas o estejam, embora possamos estar seguros disso.
20. O papa pela remissão plenária de todas as penas não quer dizer a remissão de todas as penas em sentido absoluto, mas somente das que foram impostas por ele mesmo.
21. Por isto estão em erro os pregadores de indulgências que dizem ficar um homem livre de todas as penas mediante as indulgências do papa.
22. Pois para as almas do purgatório ele não perdoa penas a que estavam obrigadas a pagar nesta vida, segundo os cânones.
23. Se é possível conceder remissão completa das penas a alguém, é certo que somente pode ser concedida ao mais perfeito; isto quer dizer, a muito poucos.
24. Daí segue-se que a maior parte do povo está sendo enganada por essas promessas indiscriminadas e liberais de libertação das penas.
25. O mesmo poder sobre o purgatório que o papa possui em geral, é possuído pelo bispo e pároco de cada dioceses ou paróquia.
26. O papa faz bem em conceder remissão às almas não pelo poder das chaves (poder que ele não possui), mas através da intercessão.
27. Os que afirmam que uma alma voa diretamente para fora (do purgatório) quando uma moeda soa na caixa das coletas, estão pregando uma invenção humana (hominem praedicant).
28. É certo que quando uma moeda soa, cresce a ganância e a avareza; mas a intercessão (suffragium) da Igreja está unicamente na vontade de Deus.
29. Quem pode saber se todas as almas do purgatório desejam ser resgatadas? (Que se pense na história contada a respeito de São Severino e São Pascoal).
30. Ninguém está seguro na verdade de sua contrição; muito menos de que se seguirá a remissão plenária.
31. Um homem que verdadeiramente compra suas indulgências é tão raro como um verdadeiro penitente, isto é, muito raro.
32. Aqueles que se julgam seguros da salvação em razão de suas cartas de perdão serão condenados para sempre juntamente com seus mestres.
33. Devemos guardar-nos particularmente daqueles que afirmam que esses perdões do papa são o dom inestimável de Deus pelo qual o homem é reconciliado com Deus.
34. Porque essas concessões de perdão só se aplicam às penitências da satisfação sacramental que foram estabelecidas pelos homens.
35. Os que ensinam que a contrição não é necessária para obter redenção ou indulgência, estão pregando doutrinas incompatíveis com o cristão.
36. Qualquer cristão que está verdadeiramente contrito tem remissão plenária tanto da pena como da culpa, que são suas dívidas, mesmo sem uma carta de perdão.
37. Qualquer cristão verdadeiro, vivo ou morto, participa de todos os benefícios de Cristo e da Igreja, que são dons de Deus, mesmo sem cartas de perdão.
38. Contudo, o perdão distribuído pelo papa não deve ser desprezado, pois – como disse – é uma declaração da remissão divina.
39. É muito difícil, mesmo para os teólogos mais sábios, dar ênfase na pregação pública simultaneamente ao benefício representado pelos indulgências e à necessidade da verdadeira contrição.
40. Verdadeira contrição exige penitência e a aceita com amor; mas o benefício das indulgências relaxa a penitência e produz ódio a ela. Tal é pelo menos sua tendência.
41. Os perdões apostólicos devem ser pregados com cuidado para que o povo não suponha que eles são mais importantes que outros atos de amor.
42. Deve ensinar-se aos cristãos que não é intenção do papa que se considera a compra dos perdões em pé de igualdade com as obras de misericórdia.
43. Deve ensinar-se aos cristãos que dar aos pobres ou emprestar aos necessitados é melhor obra que comprar perdões.
44. Por causa das obras do amor o amor é aumentado e o homem progride no bem; enquanto que pelos perdões não há progresso na bondade mas simplesmente maior liberdade de penas.
45. Deve ensinar-se aos cristãos que um homem que vê um irmão em necessidade e passa a seu lado para dar o seu dinheiro na compra dos perdões, merece não a indulgência do papa, mas a indignação de Deus.
46. Deve ensinar-se aos cristãos que – a não ser que haja grande abundância de bens – são obrigados a guardar o que é necessário para seus próprios lares e de modo algum gastar seus bens na compra de perdões.
47. Deve ensinar-se aos cristãos que a compra de perdões é matéria de livre escolha e não de mandamento.
48. Deve ensinar-se aos cristãos que, ao conceder perdões, o papa tem mais desejo (como tem mais necessidade) de oração devota em seu favor do que de dinheiro contado.
49. Deve ensinar-se aos cristãos que os perdões do papa são úteis se não se põe confiança neles, mas que são enormemente prejudiciais quando por causa deles se perde o temor de Deus.
50. Deve ensinar-se aos cristãos que, se o papa conhecesse as exações praticadas pelos pregadores de indulgências, ele preferiria que a basílica de São Pedro fosse reduzida a cinzas a construí-la com a pele, a carne e os ossos de suas ovelhas.
51. Deve ensinar-se aos cristãos que o papa – como é de seu dever – desejaria dar os seus próprios bens aos pobres homens de quem certos vendedores de perdões extorquem o dinheiro; que para este fim ele venderia – se fosse possível – a basílica de São Pedro.
52. Confiança na salvação por causa de cartas de perdões é vã, mesmo que o comissário, e até mesmo o próprio papa, empenhasse sua alma como garantia.
53. São inimigos de Cristo e do povo os que em razão da pregação das indulgências exigiam que a palavra de Deus seja silenciada em outras igrejas.
54. Comete-se uma injustiça para com a palavra de Deus se no mesmo sermão se concede tempo igual, ou mais longo, às indulgências do que a palavra de Deus.
55. A intenção do papa deve ser esta: se a concessão dos perdões – que é matéria de pouca importância – é celebrada pelo toque de um sino, como uma procissão e com uma cerimônia, então o Evangelho – que é a coisa mais importante – deve ser pregado com o acompanhamento de cem sinos, de cem procissões e de cem cerimônias.
56. Os tesouros da Igreja – de onde o papa tira as indulgências – não estão suficientemente esclarecidos nem conhecidos entre o povo de Cristo.
57. É pelo menos claro que não são tesouros temporais, porque não estão amplamente espalhados mas somente colecionados pelos numerosos vendedores de indulgências.
58. Nem são os méritos de Cristo ou dos santos, porque esses, sem o auxílio do papa, operam a graça do homem interior e a crucificação, morte e descida ao inferno do homem exterior.
59. São Lourenço disse que os pobres são os tesouros da Igreja, mas falando assim estava usando a linguagem de seu tempo.
60. Sem violências dizemos que as chaves da Igreja, dadas por mérito de Cristo, são esses tesouros.
61. Porque é claro que para a remissão das penas e a absolvição de casos (especiais) é suficiente o poder do papa.
62. O verdadeiro tesouro da Igreja é o sacrossento Evangelho da glória e da graça de Deus.
63. Mas este é merecidamente o mais odiado, visto que torna o primeiro último.
64. Por outro lado, os tesouros das indulgências são merecidamente muito populares, visto que fazem do último primeiro
65. Assim os tesouros do Evangelho são redes com que desde a Antigüidade se pescam homens de bens.
66. Os tesouros das indulgências são redes com que agora se pescam os bens dos homens.
67. As indulgências, conforme declarações dos que as pregam, são as maiores graças; mas "maiores" se deve entender como rendas que produzem.
68. Com efeito, são de pequeno valor quando comparadas com a graça de Deus e a piedade da cruz.
69. Bispos e párocos são obrigados a admitir os comissários dos perdões apostólicos com toda a reverência.
70. Mas estão mais obrigados a aplicar seus olhos e ouvidos à tarefa de tornar seguro que não pregam as invenções de sua própria imaginação em vez de comissão do papa.
71. Se qualquer um falar contra a verdade dos perdões apostólicos que sejam anátema e amaldiçoado.
72. Mas bem-aventurado é aquele que luta contra a dissoluta e desordenada pregação dos vencedores de perdões.
73. Assim como o papa justamente investe contra aqueles que de qualquer modo agem em detrimento do negócio dos perdões.
74. Tanto mais é sua intenção investir contra aqueles que, sob o pretexto dos perdões, agem em detrimento do santo amor e verdade.
75. Afirmar que os perdões papais têm tanto poder que podem absolver mesmo um homem que – para aduzir uma coisa impossível – tivesse violado a mão de Deus, é delirar como um lunático.
76. Dizemos ao contrário, que os perdões papais não podem tirar o menor dos pecados veniais no que tange à culpa.
77. Dizer que nem mesmo São Pedro e o papa, não podia dar graças maiores, é uma blasfêmia contra São Pedro e o papa.
78. Dizemos contra isto que qualquer papa, mesmo São Pedro, tem maiores graças que essas, a saber, o Evangelho, as virtudes, as graças da administração (ou da cura), etc. como em 1 Co 12.
79. É blasfêmia dizer que a cruz adornada com as armas papais tem os mesmos efeitos que a cruz de Cristo.
80. Bispos, párocos e teólogos que permitem que tal doutrina seja pregada ao povo deverão prestar contas.
81. Essa licenciosa pregação dos perdões torna difícil, mesmo a pessoas estudadas, defender a honra do papa contra a calúnia, ou pelo menos contra as perguntas capciosas dos leigos.
82. Esses perguntam: Por que o papa não esvazia o purgatório por um santíssimo ato de amor e das grandes necessidades das almas; isto não seria a mais justa das causas visto que ele resgata um número infinito de almas por causa do sórdido dinheiro dado para a edificação de uma basílica que é uma causa bem trivial?
83. Por que continuam os réquiens e os aniversários dos defuntos e ele não restitui os benefícios feitos em seu favor, ou deixa que sejam restituídos, visto que é coisa errada orar pelos redimidos?
84. Que misericórdia de Deus e do papa é essa de conceder a uma pessoa ímpia e hostil a certeza, por pagamento de dinheiro, de uma alma pia em amizade com Deus, enquanto não resgata por amor espontâneo uma alma que é pia e amada, estando ela em necessidade?
85. Os cânones penitenciais foram revogados de há muito e estão mortos de fato e por desuso. Por que então ainda se concedem dispensas deles por meio de indulgências em troca de dinheiro, como se ainda estivesse em plena força?
86. As riquezas do papa hoje em dia excedem muito às dos mais ricos Crassos; não pode ele então construir uma basílica de São Pedro com seu próprio dinheiro, em vez de fazê-lo com o dinheiro dos fiéis?
87. O que o papa perdoa ou dispensa àqueles que pela perfeita contradição têm direito à remissão e dispensa plenária?
88. Não receberia a Igreja um bem muito maior se o papa fizesse cem vezes por dia o que agora faz uma única vez, isto é, distribuir essas remissões e dispensas a cada um dos fiéis?
89. Se o papa busca pelos seus perdões antes a salvação das almas do que dinheiro, por que suspende ele cartas e perdões anteriormente concedidos, visto que são igualmente eficazes?
90. Abafar esses estudos argumentos dos fiéis apelando simplesmente para a autoridade papal em vez de esclarecê-los mediante uma resposta racional, é expor a Igreja e o papa ao ridículo dos inimigos e tornar os cristãos infelizes.
91. Se os perdões fossem pregados segundo o espírito e a intenção do papa seria fácil resolver todas essas questões; antes, nem surgiriam.
92. Portanto, que se retirem todos os profetas que dizem ao povo de Cristo: "paz, paz", e não há paz.
93. E adeus a todos os profetas que dizem ao povo de Cristo: "a cruz, a cruz", e não há cruz.
94. Os cristãos devem ser exortados a esforçar-se em seguir a Cristo, sua cabeça, através de sofrimentos, mortes e infernos.
95. E que eles confiem entrar no céu antes passando por muitas tribulações do que por meio da confiança da paz.
Uma disputa do Mestre Martinho Lutero, teólogo, para elucidação da virtude das indulgências.
Com um desejo ardente de trazer a verdade à luz, as seguintes teses serão defendidas em Wittenberg sob a presidência do Rev. Frei Martinho Lutero, Mestre de Artes, Mestre de Sagrada Teologia e Professor oficial da mesma. Ele, portanto, pede que todos os que não puderem estar presentes e disputar com ele verbalmente, o façam por escrito. Em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.
1. Nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo em dizendo "Arrependei-vos, etc.), afirmava que toda a vida dos fiéis deve ser uma ato de arrependimento.
2. Essa declaração não pode ser entendida como o sacramento da penitência (i. e., confissão e absolvição) que é administrado pelo sacerdócio.
3. Contudo, não pretende falar unicamente de arrependimento interior; pelo contrário, o arrependimento interior é vão se não produz externamente diferentes espécies de mortificação da carne.
4. Assim, permanece a penitência enquanto permanece o ódio de si (i. e., verdadeira penitência interior), a saber, o caminho reto para entrar no reino dos céus.
5. O papa não tem o desejo nem o poder de perdoar quaisquer penas, exceto aquelas que ele impôs por sua própria vontade ou segundo a vontade dos cânones.
6. O papa não tem o poder de perdoar culpa a não ser declarando ou confirmando que ela foi perdoada por Deus; ou, certamente, perdoado os casos que lhe são reservados. Se ele deixasse de observar essas limitações a culpa permaneceria.
7. Deus não perdoa a culpa de ninguém sem sujeitá-lo à humilhação sob todos os aspectos perante o sacerdote, vigário de Deus.
8. Os cânones da penitência são impostas unicamente sobre os vivos e nada deveria ser imposta aos mortos segundo eles.
9. Por isto o Espírito Santo nos beneficia através do papa, mas sempre faz exceção de seus decretos no caso da iminência da morte e da necessidade.
10. Os sacerdotes que no caso de morte reservam penas canônicas para o purgatório agem ignorante e incorretamente.
11. Esta cizânia que se refere à mudança de penas canônicas em penas no purgatório certamente foi semeada enquanto os bispos dormiam.
12. As penitências canônicas eram impostas antigamente não depois da absolvição, mas antes dela, como prova de verdadeira contrição.
13. Os moribundos pagam todas as suas dívidas por meio de sua morte e já estão mortos para as leis dos cânones, estando livres de sua jurisdição.
14. Qualquer deficiência em saúde espiritual ou e amor por parte de um homem moribundo deve trazer consigo temor, e quanto maior for a deficiência maior deverá ser o temor.
15. Esse temor e esse terror bastam por si mesmos para produzir as penas do purgatório, sem qualquer outra coisa, pois estão pouco distante do terror do desespero.
16. Com efeito, a diferença entre Inferno, Purgatório e Céu parece ser a mesma que há entre desespero, quase-desespero e confiança.
17. Parece certo que para as almas do purgatório o amor cresce na proporção em que diminui o terror.
18. Não parece estar provado, quer por argumentos quer pelas Escrituras, que essas almas estão impedidas de ganhar méritos ou de aumentar o amor.
19. Nem parece estar provado que elas estão seguras e confiantes de sua bem-aventurança, ou, pelo menos, que todas o estejam, embora possamos estar seguros disso.
20. O papa pela remissão plenária de todas as penas não quer dizer a remissão de todas as penas em sentido absoluto, mas somente das que foram impostas por ele mesmo.
21. Por isto estão em erro os pregadores de indulgências que dizem ficar um homem livre de todas as penas mediante as indulgências do papa.
22. Pois para as almas do purgatório ele não perdoa penas a que estavam obrigadas a pagar nesta vida, segundo os cânones.
23. Se é possível conceder remissão completa das penas a alguém, é certo que somente pode ser concedida ao mais perfeito; isto quer dizer, a muito poucos.
24. Daí segue-se que a maior parte do povo está sendo enganada por essas promessas indiscriminadas e liberais de libertação das penas.
25. O mesmo poder sobre o purgatório que o papa possui em geral, é possuído pelo bispo e pároco de cada dioceses ou paróquia.
26. O papa faz bem em conceder remissão às almas não pelo poder das chaves (poder que ele não possui), mas através da intercessão.
27. Os que afirmam que uma alma voa diretamente para fora (do purgatório) quando uma moeda soa na caixa das coletas, estão pregando uma invenção humana (hominem praedicant).
28. É certo que quando uma moeda soa, cresce a ganância e a avareza; mas a intercessão (suffragium) da Igreja está unicamente na vontade de Deus.
29. Quem pode saber se todas as almas do purgatório desejam ser resgatadas? (Que se pense na história contada a respeito de São Severino e São Pascoal).
30. Ninguém está seguro na verdade de sua contrição; muito menos de que se seguirá a remissão plenária.
31. Um homem que verdadeiramente compra suas indulgências é tão raro como um verdadeiro penitente, isto é, muito raro.
32. Aqueles que se julgam seguros da salvação em razão de suas cartas de perdão serão condenados para sempre juntamente com seus mestres.
33. Devemos guardar-nos particularmente daqueles que afirmam que esses perdões do papa são o dom inestimável de Deus pelo qual o homem é reconciliado com Deus.
34. Porque essas concessões de perdão só se aplicam às penitências da satisfação sacramental que foram estabelecidas pelos homens.
35. Os que ensinam que a contrição não é necessária para obter redenção ou indulgência, estão pregando doutrinas incompatíveis com o cristão.
36. Qualquer cristão que está verdadeiramente contrito tem remissão plenária tanto da pena como da culpa, que são suas dívidas, mesmo sem uma carta de perdão.
37. Qualquer cristão verdadeiro, vivo ou morto, participa de todos os benefícios de Cristo e da Igreja, que são dons de Deus, mesmo sem cartas de perdão.
38. Contudo, o perdão distribuído pelo papa não deve ser desprezado, pois – como disse – é uma declaração da remissão divina.
39. É muito difícil, mesmo para os teólogos mais sábios, dar ênfase na pregação pública simultaneamente ao benefício representado pelos indulgências e à necessidade da verdadeira contrição.
40. Verdadeira contrição exige penitência e a aceita com amor; mas o benefício das indulgências relaxa a penitência e produz ódio a ela. Tal é pelo menos sua tendência.
41. Os perdões apostólicos devem ser pregados com cuidado para que o povo não suponha que eles são mais importantes que outros atos de amor.
42. Deve ensinar-se aos cristãos que não é intenção do papa que se considera a compra dos perdões em pé de igualdade com as obras de misericórdia.
43. Deve ensinar-se aos cristãos que dar aos pobres ou emprestar aos necessitados é melhor obra que comprar perdões.
44. Por causa das obras do amor o amor é aumentado e o homem progride no bem; enquanto que pelos perdões não há progresso na bondade mas simplesmente maior liberdade de penas.
45. Deve ensinar-se aos cristãos que um homem que vê um irmão em necessidade e passa a seu lado para dar o seu dinheiro na compra dos perdões, merece não a indulgência do papa, mas a indignação de Deus.
46. Deve ensinar-se aos cristãos que – a não ser que haja grande abundância de bens – são obrigados a guardar o que é necessário para seus próprios lares e de modo algum gastar seus bens na compra de perdões.
47. Deve ensinar-se aos cristãos que a compra de perdões é matéria de livre escolha e não de mandamento.
48. Deve ensinar-se aos cristãos que, ao conceder perdões, o papa tem mais desejo (como tem mais necessidade) de oração devota em seu favor do que de dinheiro contado.
49. Deve ensinar-se aos cristãos que os perdões do papa são úteis se não se põe confiança neles, mas que são enormemente prejudiciais quando por causa deles se perde o temor de Deus.
50. Deve ensinar-se aos cristãos que, se o papa conhecesse as exações praticadas pelos pregadores de indulgências, ele preferiria que a basílica de São Pedro fosse reduzida a cinzas a construí-la com a pele, a carne e os ossos de suas ovelhas.
51. Deve ensinar-se aos cristãos que o papa – como é de seu dever – desejaria dar os seus próprios bens aos pobres homens de quem certos vendedores de perdões extorquem o dinheiro; que para este fim ele venderia – se fosse possível – a basílica de São Pedro.
52. Confiança na salvação por causa de cartas de perdões é vã, mesmo que o comissário, e até mesmo o próprio papa, empenhasse sua alma como garantia.
53. São inimigos de Cristo e do povo os que em razão da pregação das indulgências exigiam que a palavra de Deus seja silenciada em outras igrejas.
54. Comete-se uma injustiça para com a palavra de Deus se no mesmo sermão se concede tempo igual, ou mais longo, às indulgências do que a palavra de Deus.
55. A intenção do papa deve ser esta: se a concessão dos perdões – que é matéria de pouca importância – é celebrada pelo toque de um sino, como uma procissão e com uma cerimônia, então o Evangelho – que é a coisa mais importante – deve ser pregado com o acompanhamento de cem sinos, de cem procissões e de cem cerimônias.
56. Os tesouros da Igreja – de onde o papa tira as indulgências – não estão suficientemente esclarecidos nem conhecidos entre o povo de Cristo.
57. É pelo menos claro que não são tesouros temporais, porque não estão amplamente espalhados mas somente colecionados pelos numerosos vendedores de indulgências.
58. Nem são os méritos de Cristo ou dos santos, porque esses, sem o auxílio do papa, operam a graça do homem interior e a crucificação, morte e descida ao inferno do homem exterior.
59. São Lourenço disse que os pobres são os tesouros da Igreja, mas falando assim estava usando a linguagem de seu tempo.
60. Sem violências dizemos que as chaves da Igreja, dadas por mérito de Cristo, são esses tesouros.
61. Porque é claro que para a remissão das penas e a absolvição de casos (especiais) é suficiente o poder do papa.
62. O verdadeiro tesouro da Igreja é o sacrossento Evangelho da glória e da graça de Deus.
63. Mas este é merecidamente o mais odiado, visto que torna o primeiro último.
64. Por outro lado, os tesouros das indulgências são merecidamente muito populares, visto que fazem do último primeiro
65. Assim os tesouros do Evangelho são redes com que desde a Antigüidade se pescam homens de bens.
66. Os tesouros das indulgências são redes com que agora se pescam os bens dos homens.
67. As indulgências, conforme declarações dos que as pregam, são as maiores graças; mas "maiores" se deve entender como rendas que produzem.
68. Com efeito, são de pequeno valor quando comparadas com a graça de Deus e a piedade da cruz.
69. Bispos e párocos são obrigados a admitir os comissários dos perdões apostólicos com toda a reverência.
70. Mas estão mais obrigados a aplicar seus olhos e ouvidos à tarefa de tornar seguro que não pregam as invenções de sua própria imaginação em vez de comissão do papa.
71. Se qualquer um falar contra a verdade dos perdões apostólicos que sejam anátema e amaldiçoado.
72. Mas bem-aventurado é aquele que luta contra a dissoluta e desordenada pregação dos vencedores de perdões.
73. Assim como o papa justamente investe contra aqueles que de qualquer modo agem em detrimento do negócio dos perdões.
74. Tanto mais é sua intenção investir contra aqueles que, sob o pretexto dos perdões, agem em detrimento do santo amor e verdade.
75. Afirmar que os perdões papais têm tanto poder que podem absolver mesmo um homem que – para aduzir uma coisa impossível – tivesse violado a mão de Deus, é delirar como um lunático.
76. Dizemos ao contrário, que os perdões papais não podem tirar o menor dos pecados veniais no que tange à culpa.
77. Dizer que nem mesmo São Pedro e o papa, não podia dar graças maiores, é uma blasfêmia contra São Pedro e o papa.
78. Dizemos contra isto que qualquer papa, mesmo São Pedro, tem maiores graças que essas, a saber, o Evangelho, as virtudes, as graças da administração (ou da cura), etc. como em 1 Co 12.
79. É blasfêmia dizer que a cruz adornada com as armas papais tem os mesmos efeitos que a cruz de Cristo.
80. Bispos, párocos e teólogos que permitem que tal doutrina seja pregada ao povo deverão prestar contas.
81. Essa licenciosa pregação dos perdões torna difícil, mesmo a pessoas estudadas, defender a honra do papa contra a calúnia, ou pelo menos contra as perguntas capciosas dos leigos.
82. Esses perguntam: Por que o papa não esvazia o purgatório por um santíssimo ato de amor e das grandes necessidades das almas; isto não seria a mais justa das causas visto que ele resgata um número infinito de almas por causa do sórdido dinheiro dado para a edificação de uma basílica que é uma causa bem trivial?
83. Por que continuam os réquiens e os aniversários dos defuntos e ele não restitui os benefícios feitos em seu favor, ou deixa que sejam restituídos, visto que é coisa errada orar pelos redimidos?
84. Que misericórdia de Deus e do papa é essa de conceder a uma pessoa ímpia e hostil a certeza, por pagamento de dinheiro, de uma alma pia em amizade com Deus, enquanto não resgata por amor espontâneo uma alma que é pia e amada, estando ela em necessidade?
85. Os cânones penitenciais foram revogados de há muito e estão mortos de fato e por desuso. Por que então ainda se concedem dispensas deles por meio de indulgências em troca de dinheiro, como se ainda estivesse em plena força?
86. As riquezas do papa hoje em dia excedem muito às dos mais ricos Crassos; não pode ele então construir uma basílica de São Pedro com seu próprio dinheiro, em vez de fazê-lo com o dinheiro dos fiéis?
87. O que o papa perdoa ou dispensa àqueles que pela perfeita contradição têm direito à remissão e dispensa plenária?
88. Não receberia a Igreja um bem muito maior se o papa fizesse cem vezes por dia o que agora faz uma única vez, isto é, distribuir essas remissões e dispensas a cada um dos fiéis?
89. Se o papa busca pelos seus perdões antes a salvação das almas do que dinheiro, por que suspende ele cartas e perdões anteriormente concedidos, visto que são igualmente eficazes?
90. Abafar esses estudos argumentos dos fiéis apelando simplesmente para a autoridade papal em vez de esclarecê-los mediante uma resposta racional, é expor a Igreja e o papa ao ridículo dos inimigos e tornar os cristãos infelizes.
91. Se os perdões fossem pregados segundo o espírito e a intenção do papa seria fácil resolver todas essas questões; antes, nem surgiriam.
92. Portanto, que se retirem todos os profetas que dizem ao povo de Cristo: "paz, paz", e não há paz.
93. E adeus a todos os profetas que dizem ao povo de Cristo: "a cruz, a cruz", e não há cruz.
94. Os cristãos devem ser exortados a esforçar-se em seguir a Cristo, sua cabeça, através de sofrimentos, mortes e infernos.
95. E que eles confiem entrar no céu antes passando por muitas tribulações do que por meio da confiança da paz.
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AS 95 TESES DE LUTERO
terça-feira, 3 de julho de 2012
Censo aponta que Assembleia de Deus é a denominação evangélica que mais cresce no Brasil
Os números sobre a igreja evangélica brasileira tem sido um dos maiores destaques entre os dados do Censo, divulgado nesta sexta-feira (29/06/2012) pelo IBGE. Além do grande crescimento do número de evangélicos no país, a pesquisa mostra que a Assembleia de Deus é a igreja que mais cresceu no Brasil entre 2000 e 2010, passando de 8,4 milhões de membros para 12,3 milhões, segundo a agência O Globo.
De acordo com o levantamento, entre os brasileiros que se declararam evangélicos em 2010, os de origem pentecostal (Assembleia de Deus, Igreja Universal do Reino de Deus, Nova Vida, entre outras) representavam 60% dos evangélicos ou 10,4% da população. Enquanto os tradiconais da reforma (luteranos, presbiterianos, metodistas, batistas, etc.) são 18,5% dos evangelicos ou 4,1% dos brasileiros.
A Assembleia de Deus foi fundada em 1911 por missionários suecos que desembarcaram em Belém (PA) e os dados mostram que apesar de estar dividida em diversos ministérios, marca seus 101 anos como a maior denominação evangélica do país.
Cláudio Dutra Crespo, da Coordenação de População e Indicadores Sociais do IBGE, explicou que as igrejas pentecostais foram as que mais impulsionaram o crescimento do número de evangélicos no país, enquanto as igrejas da reforma, também conhecidas como históricas, tiveram o crescimento estagnado no período.
- O crescimento dos evangélicos foi impulsionado, principalmente, pelas igrejas pentecostais. As de reformadas pararam de crescer.
FONTE: Gospel+, Texto adaptado por Edrisse pinho; Th. B.
De acordo com o levantamento, entre os brasileiros que se declararam evangélicos em 2010, os de origem pentecostal (Assembleia de Deus, Igreja Universal do Reino de Deus, Nova Vida, entre outras) representavam 60% dos evangélicos ou 10,4% da população. Enquanto os tradiconais da reforma (luteranos, presbiterianos, metodistas, batistas, etc.) são 18,5% dos evangelicos ou 4,1% dos brasileiros.
A Assembleia de Deus foi fundada em 1911 por missionários suecos que desembarcaram em Belém (PA) e os dados mostram que apesar de estar dividida em diversos ministérios, marca seus 101 anos como a maior denominação evangélica do país.
Cláudio Dutra Crespo, da Coordenação de População e Indicadores Sociais do IBGE, explicou que as igrejas pentecostais foram as que mais impulsionaram o crescimento do número de evangélicos no país, enquanto as igrejas da reforma, também conhecidas como históricas, tiveram o crescimento estagnado no período.
- O crescimento dos evangélicos foi impulsionado, principalmente, pelas igrejas pentecostais. As de reformadas pararam de crescer.
FONTE: Gospel+, Texto adaptado por Edrisse pinho; Th. B.
quinta-feira, 28 de junho de 2012
ADVENTISTAS RECONHECEM ERRO TEOLOGICO
Parece que finalmente os adventistas estão admitindo aquilo que sempre foi óbvio aos cristãos evangélicos, isto é, a identidade da lei nos escritos paulinos.
A igreja adventista desde seus primórdios tem criado e sustentado uma dicotomia na lei mosaica que se transformou, com o passar do tempo, em um pressuposto hermenêutico gerando o seguinte princípio: quando Paulo se refere de modo negativo à lei estaria em foco a lei cerimonial (que foi ab-rogada), e quando se refere positivamente a ela estaria em foco a lei moral (permanente). Partindo deste princípio, evidentemente, falho e inescriturístico, eles têm sustentado a perpetuidade do sábado na Nova Aliança. Esse princípio serviu de álibi para escaparem de textos claros que mostram a ab-rogação da lei toda em 2 Coríntios 3.7-11 e Colossenses 2.14.
Para os adventistas tanto a lei gravada em pedras quanto o “escrito de dívidas” eram a mesma lei cerimonial ou “lei de Moisés”, já os sábados de Colossenses 2.16, não eram outros, senão, os denominados, “sábados cerimoniais”.
Levou mais de um século para que os adventistas admitissem esse erro hermenêutico nas passagens acima e voltassem ao ponto de vista evangélico na interpretação da lei, ou seja, Paulo não contrapõe duas leis mas fala da lei como um corpo completo. O erro vicioso perpetuado pelos adventistas em distinguir entre lei moral e lei cerimonial nos escritos paulinos foi exposto pelo teólogo adventista Samuele Bacchiocchi da seguinte maneira: "A idéia de que as declarações negativas de Paulo se referem à Lei Cerimonial, ao passo que as afirmativas se referem à Lei Moral, não pode ser encontrada em seus escritos." (Samuele Bacchiocchi, Paulo e a Lei."- Revista Adventista, julho de 1985, p. 9 - destaque nosso).
Outro erro hermenêutico perpetuado por este vício exegético diz respeito à declaração da identidade da palavra sábado em Colossenses 2.16. Para os intérpretes evangélicos em geral a palavra sabbátõn se refere ao sábado do sétimo dia, o que era veemente negado pelos teólogos adventistas. No entanto, uma edição recente da revista adventista admite a posição evangélica nos seguintes termos:
“Ao que parece, o texto de Colossenses 2.16 refere-se a quaisquer tipos de sábados: anuais, mensais ou semanais. Expressão similar à de Colossenses 2.16 (só que ao inverso) é encontrada em Gálatas 4.10: “Guardais dias [dias santos semanais], e meses [dias santos mensais], e tempos e anos [ dias santos anuais]” (Revista Adventista, janeiro de 2009, p. 18).
Surpreendentemente a revista adventista do mês de maio reafirmou as declarações dos artigos das edições antecedentes, quanto a identidade da lei, com a seguinte declaração:
“Uma importante questão hermenêutica (ou interpretativa) suscitada por Gálatas diz respeito à natureza da lei de que se fala o apóstolo. Espera-se que, depois dessas lições, tenhamos sepultado para sempre aquela velha distinção entre lei moral e lei cerimonial como a chave para se entender a epístola. Não que não houvesse leis morais e cerimoniais na vida do antigo Israel, mas o ponto é que tal distinção não é de forma alguma a solução para se interpretar Gálatas ou quaisquer outras passagens em que Paulo parece falar da lei de uma perspectiva negativa. Introduzido pelos nossos pioneiros em meados do século dezenove e no contexto das discussões quanto à validade do sábado, o argumento – de que quando Paulo parecia falar mal da lei ou enfatizar sua temporariedade ( como em Gl 3:24-25), ele tinha em mente a lei cerimonial, e de que, quando falou bem da lei (como em Rm 7:10-14), ele se referiu à lei moral – não está correto, apesar de sua praticidade e eficiência evangelísticas. A lei em Gálatas não é a lei cerimonial, mas principalmente a lei moral, pois é a lei moral que revela o pecado, condena o pecador e o conduz a Cristo. É disso que Paulo falou nessa carta. Em Hebreus, sim, o ponto é a transitoriedade da lei cerimonial e, com ela, de todo o sistema sacrificial levítico (Hb 8:7-13; 9:9-10; 10:1-10). Mas, em Gálatas, como em Colossenses 2.14 e 2 Coríntios 3:7-11, o apóstolo se referiu sobretudo à lei moral. (Wilson Paroschi – Lições de Gálatas - Revista Adventista, maio de 2012, p.18 – destaque nosso).
Apesar destas declarações não fechar a questão em torno da ab-rogação do sábado entre eles, não deixa de ser um passo importante dado pelos teólogos adventistas em direção à verdade. Isto mostra coragem e, acima de tudo, honestidade em admitir um erro exegético perpetuado como tradição por mais de um século dentro desta igreja.
Esperamos sinceramente que aqueles que abandonaram a fé evangélica e se debandaram para as fileiras do adventismo, persuadidos por meio desse artifício exegético, reflitam no erro que cometeram e retornem à sua fé original.
Fonte: CACP
A igreja adventista desde seus primórdios tem criado e sustentado uma dicotomia na lei mosaica que se transformou, com o passar do tempo, em um pressuposto hermenêutico gerando o seguinte princípio: quando Paulo se refere de modo negativo à lei estaria em foco a lei cerimonial (que foi ab-rogada), e quando se refere positivamente a ela estaria em foco a lei moral (permanente). Partindo deste princípio, evidentemente, falho e inescriturístico, eles têm sustentado a perpetuidade do sábado na Nova Aliança. Esse princípio serviu de álibi para escaparem de textos claros que mostram a ab-rogação da lei toda em 2 Coríntios 3.7-11 e Colossenses 2.14.
Para os adventistas tanto a lei gravada em pedras quanto o “escrito de dívidas” eram a mesma lei cerimonial ou “lei de Moisés”, já os sábados de Colossenses 2.16, não eram outros, senão, os denominados, “sábados cerimoniais”.
Levou mais de um século para que os adventistas admitissem esse erro hermenêutico nas passagens acima e voltassem ao ponto de vista evangélico na interpretação da lei, ou seja, Paulo não contrapõe duas leis mas fala da lei como um corpo completo. O erro vicioso perpetuado pelos adventistas em distinguir entre lei moral e lei cerimonial nos escritos paulinos foi exposto pelo teólogo adventista Samuele Bacchiocchi da seguinte maneira: "A idéia de que as declarações negativas de Paulo se referem à Lei Cerimonial, ao passo que as afirmativas se referem à Lei Moral, não pode ser encontrada em seus escritos." (Samuele Bacchiocchi, Paulo e a Lei."- Revista Adventista, julho de 1985, p. 9 - destaque nosso).
Outro erro hermenêutico perpetuado por este vício exegético diz respeito à declaração da identidade da palavra sábado em Colossenses 2.16. Para os intérpretes evangélicos em geral a palavra sabbátõn se refere ao sábado do sétimo dia, o que era veemente negado pelos teólogos adventistas. No entanto, uma edição recente da revista adventista admite a posição evangélica nos seguintes termos:
“Ao que parece, o texto de Colossenses 2.16 refere-se a quaisquer tipos de sábados: anuais, mensais ou semanais. Expressão similar à de Colossenses 2.16 (só que ao inverso) é encontrada em Gálatas 4.10: “Guardais dias [dias santos semanais], e meses [dias santos mensais], e tempos e anos [ dias santos anuais]” (Revista Adventista, janeiro de 2009, p. 18).
Surpreendentemente a revista adventista do mês de maio reafirmou as declarações dos artigos das edições antecedentes, quanto a identidade da lei, com a seguinte declaração:
“Uma importante questão hermenêutica (ou interpretativa) suscitada por Gálatas diz respeito à natureza da lei de que se fala o apóstolo. Espera-se que, depois dessas lições, tenhamos sepultado para sempre aquela velha distinção entre lei moral e lei cerimonial como a chave para se entender a epístola. Não que não houvesse leis morais e cerimoniais na vida do antigo Israel, mas o ponto é que tal distinção não é de forma alguma a solução para se interpretar Gálatas ou quaisquer outras passagens em que Paulo parece falar da lei de uma perspectiva negativa. Introduzido pelos nossos pioneiros em meados do século dezenove e no contexto das discussões quanto à validade do sábado, o argumento – de que quando Paulo parecia falar mal da lei ou enfatizar sua temporariedade ( como em Gl 3:24-25), ele tinha em mente a lei cerimonial, e de que, quando falou bem da lei (como em Rm 7:10-14), ele se referiu à lei moral – não está correto, apesar de sua praticidade e eficiência evangelísticas. A lei em Gálatas não é a lei cerimonial, mas principalmente a lei moral, pois é a lei moral que revela o pecado, condena o pecador e o conduz a Cristo. É disso que Paulo falou nessa carta. Em Hebreus, sim, o ponto é a transitoriedade da lei cerimonial e, com ela, de todo o sistema sacrificial levítico (Hb 8:7-13; 9:9-10; 10:1-10). Mas, em Gálatas, como em Colossenses 2.14 e 2 Coríntios 3:7-11, o apóstolo se referiu sobretudo à lei moral. (Wilson Paroschi – Lições de Gálatas - Revista Adventista, maio de 2012, p.18 – destaque nosso).
Apesar destas declarações não fechar a questão em torno da ab-rogação do sábado entre eles, não deixa de ser um passo importante dado pelos teólogos adventistas em direção à verdade. Isto mostra coragem e, acima de tudo, honestidade em admitir um erro exegético perpetuado como tradição por mais de um século dentro desta igreja.
Esperamos sinceramente que aqueles que abandonaram a fé evangélica e se debandaram para as fileiras do adventismo, persuadidos por meio desse artifício exegético, reflitam no erro que cometeram e retornem à sua fé original.
Fonte: CACP
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ADVENTISTAS RECONHECEM ERRO TEOLOGICO
quinta-feira, 14 de junho de 2012
CADÊ OS 4 MILHÕES DA PARADA GAY?
De acordo com o Datafolha, a parada gay de São
Paulo, ocorrida ontem, teve 270 mil pessoas. A Associação da Parada do
Orgulho GLBT de São Paulo, inconformada com esse resultado, disse que
esse número é “impossível”.
Contudo, o jornal Folha de S. Paulo, dono do Datafolha, nunca antes foi acusado de mentiroso por gayzistas e esquerdistas.
Vários meios de comunicação sérios já vinham apontando, desde 2007, que atribuir milhões de participantes à parada gay de São Paulo era um inchamento impraticável.
Esse inchamento está finalmente sendo reconhecido por antigos aliados esquerdistas do supremacismo gay.
A mídia brasileira atribuiu o baixo número de participantes da parada gay deste ano à diminuição de financiamento. Sem dinheiro de patrocinadores e do governo, a farra murcha.
“Está muito mais pobre, com menos gente, menos carros, menos divulgação”, disse o travesti Desire Viana, de 33 anos, que todo ano ajuda a parada.
Houve 100 atendimentos médicos, a maioria por embriaguez.
No ano passado, essa farra, de acordo com a Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo, atraiu mais de 4 milhões de pessoas — número contestado pela Folha de S. Paulo . Com esse número inchado, amplamente promovido, os organizadores se sentiram com poder de desafiar a tudo e a todos. E desafiar foi o que fizeram. O título da parada foi “Amai-vos Uns Aos Outros” — uma paródia das palavras de Jesus, aplicadas ao sexo homossexual.
A paródia foi muito mais longe ao exibir cartazes de santos católicos em posições eróticas, afrontando abertamente o princípio constitucional que proíbe o ultraje aos símbolos religiosos. Mesmo com o flagrante ultraje, as autoridades pretensamente preocupadas com os chamados direitos humanos não adotaram nenhum medida de punição aos violadores do princípio constitucional.
Quem se levantou para defender os católicos contra o ultraje foi Silas Malafaia, pastor da Assembleia de Deus Vitória em Cristo.
A fala de Malafaia foi interpretada como um ataque à parada gay, quando na verdade sua mensagem forte apenas denunciou o descarado ataque da parada gay à religião católica. Ele foi acusado de “homofobia” por ter feito o que a própria esquerdista CNBB não fez: defender os católicos de uma afronta homossexualista.
Em 2006, também se sentindo ofendida, a Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo recorreu ao Ministério Público Federal contra meu blog, porque meus textos sobre homossexualismo deixam claro que a prática homossexual — seja por base bíblica ou médica — não é normal. O principal motivo de acusação foi este artigo “Marcha para Jesus ou Parada Gay: Quem é realmente vítima de preconceito? ”.
O catolicismo é a religião da maioria do Brasil. Ao afrontar a fé católica em sua parada de 2011, os organizadores gays deram um tiro no pé.
Estão agora coçando a cabeça e os bolsos tentando entender por que o financiamento e os carnavalescos estão abandonando a farra tão festejada pela mídia e governo.
Eles estão deprimidos que seus habituais números inchados estão sendo questionados, contestados e recusados. Esse estado de depressão poderá levá-los a desejos de suicídio, talvez comovendo o governo a tal ponto que declare que não aceitar inchamentos homossexualistas é “homofobia”.
Os organizadores da parada estão criticando políticos e comerciantes por não terem dado dinheiro suficiente para a realização do evento. Só faltaram dizer que não dar dinheiro para sua farra é “homofobia”.
O tema da farra este ano foi “Homofobia tem Cura: Educação e Criminalização”. Criminalizando, vai ser fácil debochar de santos católicos e outros cristãos e ainda por cima acusar as vítimas de “homofobia”.
Mas os comerciantes e políticos, muitos dos quais têm ligações católicas, acharam que os organizadores da parada foram longe demais no ultraje a culto do ano passado.
Ultraje a culto tem cura: educação e criminalização.
Cadeia nos organizadores gays que cometeram os ultrajes e obscenidades contra os católicos!
Fonte: www.juliosevero.com
Contudo, o jornal Folha de S. Paulo, dono do Datafolha, nunca antes foi acusado de mentiroso por gayzistas e esquerdistas.
Vários meios de comunicação sérios já vinham apontando, desde 2007, que atribuir milhões de participantes à parada gay de São Paulo era um inchamento impraticável.
Esse inchamento está finalmente sendo reconhecido por antigos aliados esquerdistas do supremacismo gay.
A mídia brasileira atribuiu o baixo número de participantes da parada gay deste ano à diminuição de financiamento. Sem dinheiro de patrocinadores e do governo, a farra murcha.
“Está muito mais pobre, com menos gente, menos carros, menos divulgação”, disse o travesti Desire Viana, de 33 anos, que todo ano ajuda a parada.
Houve 100 atendimentos médicos, a maioria por embriaguez.
No ano passado, essa farra, de acordo com a Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo, atraiu mais de 4 milhões de pessoas — número contestado pela Folha de S. Paulo . Com esse número inchado, amplamente promovido, os organizadores se sentiram com poder de desafiar a tudo e a todos. E desafiar foi o que fizeram. O título da parada foi “Amai-vos Uns Aos Outros” — uma paródia das palavras de Jesus, aplicadas ao sexo homossexual.
A paródia foi muito mais longe ao exibir cartazes de santos católicos em posições eróticas, afrontando abertamente o princípio constitucional que proíbe o ultraje aos símbolos religiosos. Mesmo com o flagrante ultraje, as autoridades pretensamente preocupadas com os chamados direitos humanos não adotaram nenhum medida de punição aos violadores do princípio constitucional.
Quem se levantou para defender os católicos contra o ultraje foi Silas Malafaia, pastor da Assembleia de Deus Vitória em Cristo.
A fala de Malafaia foi interpretada como um ataque à parada gay, quando na verdade sua mensagem forte apenas denunciou o descarado ataque da parada gay à religião católica. Ele foi acusado de “homofobia” por ter feito o que a própria esquerdista CNBB não fez: defender os católicos de uma afronta homossexualista.
Em 2006, também se sentindo ofendida, a Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo recorreu ao Ministério Público Federal contra meu blog, porque meus textos sobre homossexualismo deixam claro que a prática homossexual — seja por base bíblica ou médica — não é normal. O principal motivo de acusação foi este artigo “Marcha para Jesus ou Parada Gay: Quem é realmente vítima de preconceito? ”.
O catolicismo é a religião da maioria do Brasil. Ao afrontar a fé católica em sua parada de 2011, os organizadores gays deram um tiro no pé.
Estão agora coçando a cabeça e os bolsos tentando entender por que o financiamento e os carnavalescos estão abandonando a farra tão festejada pela mídia e governo.
Eles estão deprimidos que seus habituais números inchados estão sendo questionados, contestados e recusados. Esse estado de depressão poderá levá-los a desejos de suicídio, talvez comovendo o governo a tal ponto que declare que não aceitar inchamentos homossexualistas é “homofobia”.
Os organizadores da parada estão criticando políticos e comerciantes por não terem dado dinheiro suficiente para a realização do evento. Só faltaram dizer que não dar dinheiro para sua farra é “homofobia”.
O tema da farra este ano foi “Homofobia tem Cura: Educação e Criminalização”. Criminalizando, vai ser fácil debochar de santos católicos e outros cristãos e ainda por cima acusar as vítimas de “homofobia”.
Mas os comerciantes e políticos, muitos dos quais têm ligações católicas, acharam que os organizadores da parada foram longe demais no ultraje a culto do ano passado.
Ultraje a culto tem cura: educação e criminalização.
Cadeia nos organizadores gays que cometeram os ultrajes e obscenidades contra os católicos!
Fonte: www.juliosevero.com
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CADÊ OS 4 MILHÕES DA PARADA GAY?
terça-feira, 1 de maio de 2012
A VERDADEIRA HISTORIA DE SÃO JORGE
Em torno do século III D.C., quando Diocleciano era imperador de Roma, havia nos domínios do seu vasto Império um jovem soldado chamado Jorge de Anicii. Filho de pais cristãos, converteu-se a Cristo ainda na infância, quando passou a temer a Deus e a crer em Jesus como seu único e suficiente salvador pessoal. Nascido na antiga Capadócia, região que atualmente pertence à Turquia, Jorge mudou-se para a Palestina com sua mãe, após a morte de seu pai. Tendo ingressado para o serviço militar, distinguiu-se por sua inteligência, coragem, capacidade organizativa, força física e porte nobre. Foi promovido a capitão do exército romano devido a sua dedicação e habilidade.
Tantas qualidades chamaram a atenção do próprio Imperador, que decidiu lhe conferir o título de Conde. Com a idade de 23 anos passou a residir na corte imperial em Roma, exercendo altas funções. Nessa mesma época, o Imperador Diocleciano traçou planos para exterminar os cristãos. No dia marcado para o senado confirmar o decreto imperial, Jorge levantou-se no meio da reunião declarando-se espantado com aquela decisão, e afirmou que os os ídolos adorados nos templos pagãos eram falsos deuses. Todos ficaram atônitos ao ouvirem estas palavras de um membro da suprema corte romana, defendendo com grande coragem sua fé em Jesus Cristo como Senhor e salvador dos homens.
Indagado por um cônsul sobre a origem desta ousadia, Jorge prontamente respondeu-lhe que era por causa da VERDADE. O tal cônsul, não satisfeito, quis saber: "O QUE É A VERDADE?". Jorge respondeu: "A verdade é meu Senhor Jesus Cristo, a quem vós perseguis, e eu sou servo de meu redentor Jesus Cristo, e nEle confiado me pus no meio de vós para dar testemunho da Verdade." Como Jorge mantinha-se fiel a Jesus, o Imperador tentou fazê-lo desistir da fé torturando-o de vários modos. E, após cada tortura, era levado perante o Imperador, que lhe perguntava se renegaria a Jesus para adorar os ídolos. Porém, este santo homem de DEUS jamais abriu mão de suas convicções e de seu amor ao SENHOR Jesus. Todas as vezes em que foi interrogado, sempre declarou-se servo do DEUS Vivo, mantendo seu firme posicionamento de somente a Ele temer e adorar.
Em seu coração, Jorge de Capadócia discernia claramente o própósito de tudo o que lhe ocorria: “... vos hão de prender e perseguir, entregando-vos às sinagogas e aos cárceres, e conduzindo-vos à presença de reis e governadores, por causa do meu nome. Isso vos acontecerá para que deis testemunho”. (Lucas 21.12:13 – Grifo nosso). A fé deste servo de DEUS era tamanha que muitas pessoas passaram a crer em Jesus e confessa-lo como SENHOR por intermédio da pregação do jovem soldado romano. Durante seu martírio, Jorge mostrou-se tão confiante em Cristo Jesus e na obra redentora da cruz, que a própria Imperatriz alcançou a Graça da salvação eterna, ao entregar sua vida ao SENHOR. Seu testemunho de fidelidade e amor a DEUS arrebatou uma geração de incrédulos e idólatras romanos.
Por fim, Diocleciano mandou degolar o jovem e fiel discípulo de Jesus, em 23 de abril de 303. Logo a devoção a “São” Jorge tornou-se popular. Celebrações e petições a imagens que o representavam se espalharam pelo Oriente e, depois das Cruzadas, tiveram grande entrada no Ocidente. Além disso, muitas lendas foram se somando a sua história, inclusive aquela que diz que ele enfrentou e amansou um dragão que atormentava uma cidade...
Em 494, a idolatria era tamanha que a Igreja Católica o canonizou, estabelecendo cultos e rituais a serem prestados em homenagem a sua memória. Assim, confirmou-se a adoração a Jorge, até hoje largamente difundida, inclusive em grandes centros urbanos, como a cidade do Rio de Janeiro, onde desde 2002 faz-se feriado municipal na data comemorativa de sua morte.
Jorge é cultuado através de imagens produzidas em esculturas, medalhas e cartazes, onde se vê um homem vestindo uma capa vermelha, montado sobre um cavalo branco, atacando um dragão com uma lança. E ironicamente, o que motivou o martírio deste homem foi justamente sua batalha contra a adoração a ídolos...
Apesar dos engano e da cegueria espiritual das gerações seguintes, o fato é que Jorge de Capadócia obteve um testemunho reto e santo, que causou impacto e ganhou muitas almas para o SENHOR. Por amor ao Evangelho, ele não se preocupou em preservar a sua própria vida; em seu íntimo, guardava a Palavra: “ ...Cristo será, tanto agora como sempre, engrandecido no meu corpo, seja pela vida, seja pela morte” (Filipenses 1.20). Deste modo, cumpriu integralmente o propósito eterno para o qual havia nascido: manifestou o caráter do SENHOR e atraiu homens e mulheres para Cristo, estendendo a salvação a muitos perdidos.
Se você é devoto deste celebrado mártir da fé cristã, faça como ele e atribua toda honra, glória e louvor exclusivamente a Jesus Cristo, por quem Jorge de Capadócia viveu e morreu. Para além das lendas que envolvem seu nome, o grande dragão combatido por ele foi a idolatria que infelizmente hoje impera em torno de seu nome.
Extraido de: http://www.genizahvirtual.com/
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A VERDADEIRA HISTORIA DE SÃO JORGE
segunda-feira, 30 de abril de 2012
A MATANÇA DOS CANANITAS
Por William Lane Craig
Traduzido e adaptado por Leandro Teixeira.
Questão 1:
Nos fóruns, tem havido muitas boas questões levantadas acerca do assunto da ordem de Deus para os judeus cometerem “genocídio” às pessoas da terra prometida. Como você tem colocado em alguns de seus trabalhos escritos que estes atos não se ajustam com o conceito ocidental de Deus sendo um doce papai no céu. Agora nós certamente podemos encontrar justificativas para aquelas pessoas ficarem debaixo do julgamento de Deus por causa dos seus pecados, idolatria, sacrifício de suas crianças, etc. Mas uma difícil questão é a matança de crianças e bebês. Se as crianças são jovens o suficiente juntamente com os bebês são inocentes dos pecados que a sua comunidade tinha cometido. Como nós reconciliaremos esta ordem de Deus para matar as crianças com o conceito de Sua Santidade? – Obrigado, Steven Shea.
Questão 2:
Eu tenho ouvido você justificar a violência do AT com a base de que Deus usou o exército Israelita para julgar os cananitas e a eliminação deles pelos israelitas é moralmente correta por que eles estavam obedecendo a uma ordem de Deus (devia ser errado se eles não tivessem obedecido a Deus na ordem de eliminar os cananitas). Isto se assemelha um pouco em como os Muçulmanos definem moralidade e justificam a violência de Maomé e outras questões morais questionáveis (os muçulmanos definem moralidade como o cumprimento da vontade de Deus). Você pode ver alguma diferença entre a sua justificativa da violência no AT e a justificação islâmica de Maomé e os versículos violentos do Alcorão? São a violência e as ações questionáveis de moralidade e os versículos do Alcorão bons argumentos ao falar com os muçulmanos? – Anônimo
Dr. William Lane Craig responde:
De acordo com o Pentateuco (os cinco primeiros livros do Antigo Testamento), quando Deus tirou seu povo da escravidão do Egito e os fez voltar para a terra dos seus antepassados, Ele os direcionou para matar todo o povo cananita que estavam vivendo na terra (Dt. 7:1-2; 20:16-18). A destruição seria completa: cada homem, mulher e criança seriam mortos. O livro de Josué conta a história dos israelitas levando a cabo a ordem de Deus cidade após cidade do começo ao fim de Canaã.
Esta história ofende nossa sensibilidade moral. Ironicamente, contudo, nossa sensibilidade moral no Ocidente foi basicamente, e para muitas pessoas inconscientemente, formada por nossa herança judaico-cristã, a qual nos ensinou os valores intrínsecos dos seres humanos, a importância da conduta justa mais que caprichosamente, e a necessidade da adequada punição para o crime. A Bíblia mesma inculca os valores os quais estas histórias parecem violar.
A ordem para matar as pessoas cananitas está discordante precisamente porque ela parece tão em desacordo com o retrato de Javé, o Deus de Israel, como Ele é pintado nas Escrituras Hebraicas. Contrariamente à retórica vituperante de alguns como Richard Dawkins, o Deus das Escrituras hebraicas é um Deus de justiça, que sofre e de compaixão.
Você não pode ler os profetas do Antigo Testamento sem um senso de profundo cuidado de Deus pelos pobres, oprimidos, humilhados, órfãos e outros. Deus demanda justas leis e justas regras. Ele literalmente suplica às pessoas que se arrependam de seus caminhos errados que Ele poderia não julgá-los. “Vivo eu, diz o Senhor DEUS, que não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho, e viva” (Ez. 33:11).
Ele enviou um profeta até mesmo para a cidade pagã de Nínive por causa da Sua compaixão pelos habitantes, “homens que não sabem discernir entre a sua mão direita e a sua mão esquerda” (Jn 4:11). O próprio Pentateuco contém os 10 mandamentos, um dos maiores códigos morais da antiguidade, os quais moldaram a sociedade ocidental. Até mesmo o severo “olho por olho, dente por dente” não foi uma descrição de vingança, mas uma verificação na punição excessiva para cada crime, servindo para moderar a violência.
O julgamento de Deus é qualquer coisa, menos caprichoso. Quando o Senhor anunciou de julgar Sodoma e Gomorra pelos seus pecados, Abraão corajosamente perguntou,
E chegou-se Abraão, dizendo: Destruirás também o justo com o ímpio? Se porventura houver cinqüenta justos na cidade, destruirás também, e não pouparás o lugar por causa dos cinqüenta justos que estão dentro dela? Longe de ti que faças tal coisa, que mates o justo com o ímpio; que o justo seja como o ímpio, longe de ti. Não faria justiça o Juiz de toda a terra? (Gn 18:25).
Tal como o negociante do Oriente Médio pechincha em uma barganha, Abraão continuadamente diminuiu o preço, e a cada vez Deus se comprometeu, sem nenhuma hesitação, garantindo a Abraão que se houvesse até mesmo 10 pessoas corretas na cidade, Ele não a destruiria por causa deles.
Então o que é que Javé está fazendo comandando o exército judeu para exterminar o povo cananita? É precisamente porque nós esperamos que Javé agisse justamente e com compaixão que nós achamos estas histórias tão difíceis de compreender. Como pode Ele comandar soldados para matar crianças?
Agora, antes de tentar dizer algo em forma de responda para esta difícil questão, nós devemos por bem primeiramente parar e perguntar a nós mesmos o que está em jogo aqui. Suponha que nós concordemos que se Deus (que é perfeitamente bom) existe, Ele não poderia ter emitido semelhante ordem. O que se segue? Que Jesus não ressuscitou dos mortos? Que Deus não existe? Dificilmente! Então qual é o suposto problema?
Eu tenho freqüentemente ouvido populares levantarem esta ordem como uma refutação do argumento moral para a existência de Deus. Mas eles estão obviamente enganados. A afirmação de que Deus não pode ter emitido tal ordem não falsifica ou diminui qualquer das duas premissas no argumento moral que eu defendo:
1.Se Deus não existe, valores morais objetivos não existem;
2.Valores morais objetivos existem;
3.Então, Deus existe.
De fato, à medida que os ateus pensam que Deus fez algo moralmente errado na ordenação do extermínio dos cananitas, eles afirmam a premissa (2). Então, qual é o suposto problema?
O problema, parece-me, é que se Deus não emitiu tal ordem, então a história bíblica deve ser falsa. Qualquer um dos incidentes nunca realmente aconteceu, mas é apenas folclore israelita; ou senão, se elas aconteceram então Israel, cheio de um completo fervor nacionalista, pensando que Deus estivesse do lado dele, afirmou que Deus os comandou para cometer estas atrocidades, quando de fato Ele não os comandou. Em outras palavras, este problema realmente é uma objeção à inerrância bíblica.
De fato, ironicamente, muitos críticos do Antigo Testamento são céticos que os eventos da conquista de Canaã ocorreram. Eles tomam estas histórias como parte da lenda da fundação de Israel, de forma semelhante ao mito de Rômulo e Remo e a fundação de Roma. Para tais críticos o problema das ordenações de Deus desaparece.
Agora vamos colocar esta ordem em uma perspectiva totalmente diferente! A questão da inerrância bíblica é importante, mas não é como a existência de Deus ou a deidade de Cristo! Se os cristãos não podem encontrar uma boa resposta para a questão antes de nós e estão, além disso, convencidos que tal comando é inconsistente com a natureza de Deus, então nós teremos que desistir da inerrância bíblica. Mas nós não devemos deixar um descrente levantar esta questão enganando-se pensando que ele implica mais do que ele realmente faz.
Eu penso que um bom começo para este problema é enunciar nossa teoria ética que fundamenta nossos julgamentos morais. De acordo com a versão do mandamento divino ético que eu defendo, nossas obrigações morais são constituídas pelos mandamentos de um santo e amoroso Deus. Uma vez que Deus não emite ordens a si mesmo, Ele não tem obrigações morais para cumprir. Ele certamente não esta sujeito às mesmas obrigações e proibições a que nós estamos. Por exemplo, eu não tenho nenhum direito de tirar a vida de um inocente. Para mim, fazer isto me tornaria um assassino. Mas Deus não tem tal proibição. Ele pode dar e tirar a vida como Ele decidir. Nós todos reconhecemos isto quando censuramos alguma autoridade que presume tirar vidas como “brincar de Deus”. Autoridades humanas arrogam a si mesmas direitos os quais cabem somente a Deus. Deus não está sob qualquer obrigação para estender minha vida por mais um segundo. Se Ele quiser me desferir a morte agora, esta é Sua prerrogativa.
O que isto implica é que Deus tem o direito de tomar as vidas dos cananitas quando Ele achar melhor. Quanto tempo eles vivem e quando eles morrem é decisão Dele.
Então o problema não é que Deus terminou com a vida dos cananitas. O problema é que Deus mandou os exércitos israelenses acabarem com elas. Não é como mandar alguém cometer assassinato? Não, não é. Antes, uma vez que nossas obrigações morais são determinadas pelos mandamentos de Deus, Ele está mandando fazer algo que, na ausência da ordem divina, poderia ser assassinato. O ato era moralmente obrigatório para os soldados israelitas em virtude do mandamento divino, ainda que, tivessem eles o tratado em sua própria iniciativa, eles estivessem errados.
Na teoria do mandamento divino, então, Deus tem o direito de ordenar uma ação, a qual, ausente de um mandamento divino, seria pecado, mas a qual é moralmente obrigatória em virtude deste mandamento.
Muito bem; mas tal ordem não é contrária à natureza de Deus? Vamos olhar este caso mais de perto. É talvez significativo que a história da destruição de Sodoma por Javé – juntamente com Suas sérias garantias a Abraão que se houvessem tantas quanto até mesmo 10 pessoas retas em Sodoma, a cidade não seria destruída – dá forma a parte do fundo para a conquista de Canaã e ao mandamento de Javé de destruir as cidades lá. A implicação é que os cananitas não são pessoas retas, mas estão sob o julgamento de Deus.
De fato, antes da escravidão no Egito, Deus falou a Abraão,
“Sabes, de certo, que peregrina será a tua descendência em terra alheia, e será reduzida à escravidão, e será afligida por quatrocentos anos… e a quarta geração tornará para cá; porque a medida da injustiça dos amorreus não está ainda cheia.” (Gn. 15:13,16)
Pense nisto! Deus suspende seu julgamento aos cananitas por 400 anos porque sua perversidade ainda não tinha atingido o ponto de intolerabilidade! Este é o Deus que suporta a dor que nós conhecemos das Escrituras hebraicas. Ele até mesmo permite que Seu povo escolhido definhe na escravidão por 4 séculos antes de determinar que o povo cananita esteja pronto para o julgamento e tirar o Seu povo do Egito.
No tempo de sua destruição, a cultura cananita era, de fato, devassa e cruel, abraçando práticas tais como prostituição cultual e até mesmo sacrifício de crianças. Os cananitas estão para ser destruídos “Para que não vos ensinem a fazer conforme a todas as suas abominações, que fizeram a seus deuses, e pequeis contra o SENHOR vosso Deus.” (Dt 20:18). Deus tinha razões moralmente suficientes para Seu julgamento sobre Canaã, e Israel era meramente o instrumento da Sua justiça, da mesma fora que centenas de anos depois Deus usaria as nações pagãs da Assíria e Babilônia para julgar Israel.
Mas tirar a vida de crianças inocentes? A terrível totalidade da destruição foi incontestavelmente à proibição da assimilação de nações pagãs. No ordenamento da destruição completa dos cananitas, o Senhor falou: “Nem te aparentarás com elas; não darás tuas filhas a seus filhos, e não tomarás suas filhas para teus filhos; Pois fariam desviar teus filhos de mim, para que servissem a outros deuses; e a ira do SENHOR se acenderia contra vós, e depressa vos consumiria.” (Dt 7:3-4). Este mandamento é parte e parcela de toda a estrutura da complexa e característica lei judia de práticas puras e impuras. Para a contemporânea mente ocidental muitas das regras da lei do Antigo Testamento parecem absolutamente bizarras e sem sentido: não misturar linho com lã, não usar os mesmos recipientes para carnes e laticínios, etc. O impulso que sobrepujava estas regras é a proibição de vários tipos de mistura. Linhas claras de distinção são esboçadas: isto e não aquilo. Isto serviu como um tangível e diário lembrete que Israel é um conjunto especial de pessoas separado para Deus.
Eu falei uma vez com um missionário indiano que me contou que a mente oriental tem uma tendência inveterada com respeito à amalgamação (fusão). Ele falou que os Hindus ouvem o evangelho sorrindo e dizem “Sub ehki eh, sahib, sub ehki eh!” (Tudo é Um, sahib, Tudo é Um!). Faz quase o impossível para alcançá-los por causa até mesmo das contradições lógicas incluídas no todo. Ele disse que ele pensa que a razão de que Deus deu a Israel tantas ordens arbitrárias sobre pureza e impureza era para ensiná-los a Lei da Contradição!
Por definição em tal grau forte, severa dicotomia Deus ensinou Israel que qualquer assimilação com a idolatria pagã era intolerável. Era Sua forma de preservar a saúde e posteridade espiritual de Israel. A matança das crianças cananitas não apenas serviu para prevenir uma assimilação da identidade cananita, mas também serviu como uma ilustração tangível e detalhada da separação de Israel como um povo exclusivo de Deus.
Além do mais, se nós acreditarmos, como eu acredito, que a graça de Deus é estendida para aqueles que morreram na infância ou como pequenas crianças, a morte destas crianças era verdadeiramente sua salvação. Nós somos tão apegados à perspectiva naturalista terrena, que nós esquecemos que aqueles que morrem estão felizes por deixar esta terra pela alegria incomparável do paraíso. Então, Deus não faz nada errado ao tomar suas vidas.
Então o que Deus faz de errado ao comandar a destruição dos cananitas? Não os cananitas adultos, porque eles eram corruptos e mereciam o julgamento. Não as crianças, porque eles herdaram a vida eterna. Então quem é o transgressor? Ironicamente, eu penso que a maior dificuldade de todo este debate é o aparente erro que os soldados israelenses fizeram a si mesmos. Você pode imaginar que seria como ter que invadir uma casa e matar uma mulher aterrorizada e seus filhos? O efeito brutal nestes soldados israelenses são perturbadores.
Mas então, novamente, nós estamos pensando de um ponto de vista ocidental cristianizado. Para as pessoas do mundo antigo, a vida já era brutal. Violência e guerra eram fatos da vida na vivência das pessoas no oriente antigo. Evidências deste fato é que as pessoas que contam estas histórias aparentemente não pensam nada do que os soldados israelenses estavam ordenados a fazer (especialmente se estas são lendas da fundação de uma nação). Ninguém estava com peso na consciência pelos soldados terem matado os cananitas; aqueles que o fizeram se tornaram heróis nacionais.
Além do mais, meu ponto acima retorna. Nada podia ilustrar para os israelitas a seriedade de sua chamada como povo escolhido de Deus somente. Javé não estava brincando com eles. Ele estava falando sério, e se Israel apostatasse, a mesma coisa aconteceria com eles. Como C. S. Lewis colocou, “Aslan não é um leão manso”.
Agora, como relacionar tudo isto a Jihad Islâmica? O islamismo vê a violência como um meio para propagar a fé muçulmana. O Islamismo divide o mundo em duas partes: a dar al-Islam (Casa da Submissão) e a dar al-harb (Casa da Guerra). A primeira são aquelas terras as quais têm sido adquiridas em submissão ao Islamismo; a última são aquelas nações que ainda não se submeteram. Assim é como o Islamismo verdadeiramente vê o mundo!
Em contraste, a conquista de Canaã representa o justo julgamento de Deus sobre aquelas pessoas. O propósito não era fazê-los se converterem ao judaísmo! A guerra não foi usado como um instrumento de propagação da fé judaica. Além do mais, o extermínio dos cananitas representou uma circunstância histórica incomum, não uma habitual forma de comportamento.
O problema com o Islamismo, então, não é que ele tem a teoria moral errada; é que ele tem o Deus errado. Se os muçulmanos pensam que nossas obrigações morais são constituídas de mandamentos de Deus, então eu concordo com eles. Mas os muçulmanos e os cristãos diferem radicalmente sobre a natureza de Deus. Os cristãos crêem que Deus é um Deus amoroso, enquanto os muçulmanos acreditam que Deus ama somente os muçulmanos. Alá não tem amor pelos incrédulos e pecadores. Então, eles podem ser mortos indiscriminadamente. Além do mais, no Islamismo, a onipotência de Deus supera tudo, inclusive sua própria natureza. Ele é então absolutamente arbitrário na sua conduta com a humanidade. Em contraste, os cristãos sustentam que a natureza santa e amorosa de Deus determina seus mandamentos.
A questão não é, então, de qual a teoria moral está correta, mas qual é o verdadeiro Deus?
O artigo original em inglês foi publicado por Reasonable Faith.
Traduzido e adaptado por Leandro Teixeira.
Questão 1:
Nos fóruns, tem havido muitas boas questões levantadas acerca do assunto da ordem de Deus para os judeus cometerem “genocídio” às pessoas da terra prometida. Como você tem colocado em alguns de seus trabalhos escritos que estes atos não se ajustam com o conceito ocidental de Deus sendo um doce papai no céu. Agora nós certamente podemos encontrar justificativas para aquelas pessoas ficarem debaixo do julgamento de Deus por causa dos seus pecados, idolatria, sacrifício de suas crianças, etc. Mas uma difícil questão é a matança de crianças e bebês. Se as crianças são jovens o suficiente juntamente com os bebês são inocentes dos pecados que a sua comunidade tinha cometido. Como nós reconciliaremos esta ordem de Deus para matar as crianças com o conceito de Sua Santidade? – Obrigado, Steven Shea.
Questão 2:
Eu tenho ouvido você justificar a violência do AT com a base de que Deus usou o exército Israelita para julgar os cananitas e a eliminação deles pelos israelitas é moralmente correta por que eles estavam obedecendo a uma ordem de Deus (devia ser errado se eles não tivessem obedecido a Deus na ordem de eliminar os cananitas). Isto se assemelha um pouco em como os Muçulmanos definem moralidade e justificam a violência de Maomé e outras questões morais questionáveis (os muçulmanos definem moralidade como o cumprimento da vontade de Deus). Você pode ver alguma diferença entre a sua justificativa da violência no AT e a justificação islâmica de Maomé e os versículos violentos do Alcorão? São a violência e as ações questionáveis de moralidade e os versículos do Alcorão bons argumentos ao falar com os muçulmanos? – Anônimo
Dr. William Lane Craig responde:
De acordo com o Pentateuco (os cinco primeiros livros do Antigo Testamento), quando Deus tirou seu povo da escravidão do Egito e os fez voltar para a terra dos seus antepassados, Ele os direcionou para matar todo o povo cananita que estavam vivendo na terra (Dt. 7:1-2; 20:16-18). A destruição seria completa: cada homem, mulher e criança seriam mortos. O livro de Josué conta a história dos israelitas levando a cabo a ordem de Deus cidade após cidade do começo ao fim de Canaã.
Esta história ofende nossa sensibilidade moral. Ironicamente, contudo, nossa sensibilidade moral no Ocidente foi basicamente, e para muitas pessoas inconscientemente, formada por nossa herança judaico-cristã, a qual nos ensinou os valores intrínsecos dos seres humanos, a importância da conduta justa mais que caprichosamente, e a necessidade da adequada punição para o crime. A Bíblia mesma inculca os valores os quais estas histórias parecem violar.
A ordem para matar as pessoas cananitas está discordante precisamente porque ela parece tão em desacordo com o retrato de Javé, o Deus de Israel, como Ele é pintado nas Escrituras Hebraicas. Contrariamente à retórica vituperante de alguns como Richard Dawkins, o Deus das Escrituras hebraicas é um Deus de justiça, que sofre e de compaixão.
Você não pode ler os profetas do Antigo Testamento sem um senso de profundo cuidado de Deus pelos pobres, oprimidos, humilhados, órfãos e outros. Deus demanda justas leis e justas regras. Ele literalmente suplica às pessoas que se arrependam de seus caminhos errados que Ele poderia não julgá-los. “Vivo eu, diz o Senhor DEUS, que não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho, e viva” (Ez. 33:11).
Ele enviou um profeta até mesmo para a cidade pagã de Nínive por causa da Sua compaixão pelos habitantes, “homens que não sabem discernir entre a sua mão direita e a sua mão esquerda” (Jn 4:11). O próprio Pentateuco contém os 10 mandamentos, um dos maiores códigos morais da antiguidade, os quais moldaram a sociedade ocidental. Até mesmo o severo “olho por olho, dente por dente” não foi uma descrição de vingança, mas uma verificação na punição excessiva para cada crime, servindo para moderar a violência.
O julgamento de Deus é qualquer coisa, menos caprichoso. Quando o Senhor anunciou de julgar Sodoma e Gomorra pelos seus pecados, Abraão corajosamente perguntou,
E chegou-se Abraão, dizendo: Destruirás também o justo com o ímpio? Se porventura houver cinqüenta justos na cidade, destruirás também, e não pouparás o lugar por causa dos cinqüenta justos que estão dentro dela? Longe de ti que faças tal coisa, que mates o justo com o ímpio; que o justo seja como o ímpio, longe de ti. Não faria justiça o Juiz de toda a terra? (Gn 18:25).
Tal como o negociante do Oriente Médio pechincha em uma barganha, Abraão continuadamente diminuiu o preço, e a cada vez Deus se comprometeu, sem nenhuma hesitação, garantindo a Abraão que se houvesse até mesmo 10 pessoas corretas na cidade, Ele não a destruiria por causa deles.
Então o que é que Javé está fazendo comandando o exército judeu para exterminar o povo cananita? É precisamente porque nós esperamos que Javé agisse justamente e com compaixão que nós achamos estas histórias tão difíceis de compreender. Como pode Ele comandar soldados para matar crianças?
Agora, antes de tentar dizer algo em forma de responda para esta difícil questão, nós devemos por bem primeiramente parar e perguntar a nós mesmos o que está em jogo aqui. Suponha que nós concordemos que se Deus (que é perfeitamente bom) existe, Ele não poderia ter emitido semelhante ordem. O que se segue? Que Jesus não ressuscitou dos mortos? Que Deus não existe? Dificilmente! Então qual é o suposto problema?
Eu tenho freqüentemente ouvido populares levantarem esta ordem como uma refutação do argumento moral para a existência de Deus. Mas eles estão obviamente enganados. A afirmação de que Deus não pode ter emitido tal ordem não falsifica ou diminui qualquer das duas premissas no argumento moral que eu defendo:
1.Se Deus não existe, valores morais objetivos não existem;
2.Valores morais objetivos existem;
3.Então, Deus existe.
De fato, à medida que os ateus pensam que Deus fez algo moralmente errado na ordenação do extermínio dos cananitas, eles afirmam a premissa (2). Então, qual é o suposto problema?
O problema, parece-me, é que se Deus não emitiu tal ordem, então a história bíblica deve ser falsa. Qualquer um dos incidentes nunca realmente aconteceu, mas é apenas folclore israelita; ou senão, se elas aconteceram então Israel, cheio de um completo fervor nacionalista, pensando que Deus estivesse do lado dele, afirmou que Deus os comandou para cometer estas atrocidades, quando de fato Ele não os comandou. Em outras palavras, este problema realmente é uma objeção à inerrância bíblica.
De fato, ironicamente, muitos críticos do Antigo Testamento são céticos que os eventos da conquista de Canaã ocorreram. Eles tomam estas histórias como parte da lenda da fundação de Israel, de forma semelhante ao mito de Rômulo e Remo e a fundação de Roma. Para tais críticos o problema das ordenações de Deus desaparece.
Agora vamos colocar esta ordem em uma perspectiva totalmente diferente! A questão da inerrância bíblica é importante, mas não é como a existência de Deus ou a deidade de Cristo! Se os cristãos não podem encontrar uma boa resposta para a questão antes de nós e estão, além disso, convencidos que tal comando é inconsistente com a natureza de Deus, então nós teremos que desistir da inerrância bíblica. Mas nós não devemos deixar um descrente levantar esta questão enganando-se pensando que ele implica mais do que ele realmente faz.
Eu penso que um bom começo para este problema é enunciar nossa teoria ética que fundamenta nossos julgamentos morais. De acordo com a versão do mandamento divino ético que eu defendo, nossas obrigações morais são constituídas pelos mandamentos de um santo e amoroso Deus. Uma vez que Deus não emite ordens a si mesmo, Ele não tem obrigações morais para cumprir. Ele certamente não esta sujeito às mesmas obrigações e proibições a que nós estamos. Por exemplo, eu não tenho nenhum direito de tirar a vida de um inocente. Para mim, fazer isto me tornaria um assassino. Mas Deus não tem tal proibição. Ele pode dar e tirar a vida como Ele decidir. Nós todos reconhecemos isto quando censuramos alguma autoridade que presume tirar vidas como “brincar de Deus”. Autoridades humanas arrogam a si mesmas direitos os quais cabem somente a Deus. Deus não está sob qualquer obrigação para estender minha vida por mais um segundo. Se Ele quiser me desferir a morte agora, esta é Sua prerrogativa.
O que isto implica é que Deus tem o direito de tomar as vidas dos cananitas quando Ele achar melhor. Quanto tempo eles vivem e quando eles morrem é decisão Dele.
Então o problema não é que Deus terminou com a vida dos cananitas. O problema é que Deus mandou os exércitos israelenses acabarem com elas. Não é como mandar alguém cometer assassinato? Não, não é. Antes, uma vez que nossas obrigações morais são determinadas pelos mandamentos de Deus, Ele está mandando fazer algo que, na ausência da ordem divina, poderia ser assassinato. O ato era moralmente obrigatório para os soldados israelitas em virtude do mandamento divino, ainda que, tivessem eles o tratado em sua própria iniciativa, eles estivessem errados.
Na teoria do mandamento divino, então, Deus tem o direito de ordenar uma ação, a qual, ausente de um mandamento divino, seria pecado, mas a qual é moralmente obrigatória em virtude deste mandamento.
Muito bem; mas tal ordem não é contrária à natureza de Deus? Vamos olhar este caso mais de perto. É talvez significativo que a história da destruição de Sodoma por Javé – juntamente com Suas sérias garantias a Abraão que se houvessem tantas quanto até mesmo 10 pessoas retas em Sodoma, a cidade não seria destruída – dá forma a parte do fundo para a conquista de Canaã e ao mandamento de Javé de destruir as cidades lá. A implicação é que os cananitas não são pessoas retas, mas estão sob o julgamento de Deus.
De fato, antes da escravidão no Egito, Deus falou a Abraão,
“Sabes, de certo, que peregrina será a tua descendência em terra alheia, e será reduzida à escravidão, e será afligida por quatrocentos anos… e a quarta geração tornará para cá; porque a medida da injustiça dos amorreus não está ainda cheia.” (Gn. 15:13,16)
Pense nisto! Deus suspende seu julgamento aos cananitas por 400 anos porque sua perversidade ainda não tinha atingido o ponto de intolerabilidade! Este é o Deus que suporta a dor que nós conhecemos das Escrituras hebraicas. Ele até mesmo permite que Seu povo escolhido definhe na escravidão por 4 séculos antes de determinar que o povo cananita esteja pronto para o julgamento e tirar o Seu povo do Egito.
No tempo de sua destruição, a cultura cananita era, de fato, devassa e cruel, abraçando práticas tais como prostituição cultual e até mesmo sacrifício de crianças. Os cananitas estão para ser destruídos “Para que não vos ensinem a fazer conforme a todas as suas abominações, que fizeram a seus deuses, e pequeis contra o SENHOR vosso Deus.” (Dt 20:18). Deus tinha razões moralmente suficientes para Seu julgamento sobre Canaã, e Israel era meramente o instrumento da Sua justiça, da mesma fora que centenas de anos depois Deus usaria as nações pagãs da Assíria e Babilônia para julgar Israel.
Mas tirar a vida de crianças inocentes? A terrível totalidade da destruição foi incontestavelmente à proibição da assimilação de nações pagãs. No ordenamento da destruição completa dos cananitas, o Senhor falou: “Nem te aparentarás com elas; não darás tuas filhas a seus filhos, e não tomarás suas filhas para teus filhos; Pois fariam desviar teus filhos de mim, para que servissem a outros deuses; e a ira do SENHOR se acenderia contra vós, e depressa vos consumiria.” (Dt 7:3-4). Este mandamento é parte e parcela de toda a estrutura da complexa e característica lei judia de práticas puras e impuras. Para a contemporânea mente ocidental muitas das regras da lei do Antigo Testamento parecem absolutamente bizarras e sem sentido: não misturar linho com lã, não usar os mesmos recipientes para carnes e laticínios, etc. O impulso que sobrepujava estas regras é a proibição de vários tipos de mistura. Linhas claras de distinção são esboçadas: isto e não aquilo. Isto serviu como um tangível e diário lembrete que Israel é um conjunto especial de pessoas separado para Deus.
Eu falei uma vez com um missionário indiano que me contou que a mente oriental tem uma tendência inveterada com respeito à amalgamação (fusão). Ele falou que os Hindus ouvem o evangelho sorrindo e dizem “Sub ehki eh, sahib, sub ehki eh!” (Tudo é Um, sahib, Tudo é Um!). Faz quase o impossível para alcançá-los por causa até mesmo das contradições lógicas incluídas no todo. Ele disse que ele pensa que a razão de que Deus deu a Israel tantas ordens arbitrárias sobre pureza e impureza era para ensiná-los a Lei da Contradição!
Por definição em tal grau forte, severa dicotomia Deus ensinou Israel que qualquer assimilação com a idolatria pagã era intolerável. Era Sua forma de preservar a saúde e posteridade espiritual de Israel. A matança das crianças cananitas não apenas serviu para prevenir uma assimilação da identidade cananita, mas também serviu como uma ilustração tangível e detalhada da separação de Israel como um povo exclusivo de Deus.
Além do mais, se nós acreditarmos, como eu acredito, que a graça de Deus é estendida para aqueles que morreram na infância ou como pequenas crianças, a morte destas crianças era verdadeiramente sua salvação. Nós somos tão apegados à perspectiva naturalista terrena, que nós esquecemos que aqueles que morrem estão felizes por deixar esta terra pela alegria incomparável do paraíso. Então, Deus não faz nada errado ao tomar suas vidas.
Então o que Deus faz de errado ao comandar a destruição dos cananitas? Não os cananitas adultos, porque eles eram corruptos e mereciam o julgamento. Não as crianças, porque eles herdaram a vida eterna. Então quem é o transgressor? Ironicamente, eu penso que a maior dificuldade de todo este debate é o aparente erro que os soldados israelenses fizeram a si mesmos. Você pode imaginar que seria como ter que invadir uma casa e matar uma mulher aterrorizada e seus filhos? O efeito brutal nestes soldados israelenses são perturbadores.
Mas então, novamente, nós estamos pensando de um ponto de vista ocidental cristianizado. Para as pessoas do mundo antigo, a vida já era brutal. Violência e guerra eram fatos da vida na vivência das pessoas no oriente antigo. Evidências deste fato é que as pessoas que contam estas histórias aparentemente não pensam nada do que os soldados israelenses estavam ordenados a fazer (especialmente se estas são lendas da fundação de uma nação). Ninguém estava com peso na consciência pelos soldados terem matado os cananitas; aqueles que o fizeram se tornaram heróis nacionais.
Além do mais, meu ponto acima retorna. Nada podia ilustrar para os israelitas a seriedade de sua chamada como povo escolhido de Deus somente. Javé não estava brincando com eles. Ele estava falando sério, e se Israel apostatasse, a mesma coisa aconteceria com eles. Como C. S. Lewis colocou, “Aslan não é um leão manso”.
Agora, como relacionar tudo isto a Jihad Islâmica? O islamismo vê a violência como um meio para propagar a fé muçulmana. O Islamismo divide o mundo em duas partes: a dar al-Islam (Casa da Submissão) e a dar al-harb (Casa da Guerra). A primeira são aquelas terras as quais têm sido adquiridas em submissão ao Islamismo; a última são aquelas nações que ainda não se submeteram. Assim é como o Islamismo verdadeiramente vê o mundo!
Em contraste, a conquista de Canaã representa o justo julgamento de Deus sobre aquelas pessoas. O propósito não era fazê-los se converterem ao judaísmo! A guerra não foi usado como um instrumento de propagação da fé judaica. Além do mais, o extermínio dos cananitas representou uma circunstância histórica incomum, não uma habitual forma de comportamento.
O problema com o Islamismo, então, não é que ele tem a teoria moral errada; é que ele tem o Deus errado. Se os muçulmanos pensam que nossas obrigações morais são constituídas de mandamentos de Deus, então eu concordo com eles. Mas os muçulmanos e os cristãos diferem radicalmente sobre a natureza de Deus. Os cristãos crêem que Deus é um Deus amoroso, enquanto os muçulmanos acreditam que Deus ama somente os muçulmanos. Alá não tem amor pelos incrédulos e pecadores. Então, eles podem ser mortos indiscriminadamente. Além do mais, no Islamismo, a onipotência de Deus supera tudo, inclusive sua própria natureza. Ele é então absolutamente arbitrário na sua conduta com a humanidade. Em contraste, os cristãos sustentam que a natureza santa e amorosa de Deus determina seus mandamentos.
A questão não é, então, de qual a teoria moral está correta, mas qual é o verdadeiro Deus?
O artigo original em inglês foi publicado por Reasonable Faith.
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