sexta-feira, 1 de novembro de 2013

A VIRGINDADE PERPETUA DE MARIA, SERÁ?

 A IGREJA DE ROMA assegura que a santa Maria, mãe de Jesus, conservou-se virgem até a sua morte:
“Maria permaneceu Virgem concebendo seu Filho, Virgem ao dá-lo à luz, Virgem ao carregá-lo, Virgem ao alimentá-lo de seu seio, Virgem sempre” (C.I.C. p. 143, # 510).
Contestação – Antes do nascimento de Jesus, Maria e José não mantiveram relações íntimas. Nascido Jesus, e passado o período pós-parto, o casal passou a ter uma vida normal de marido e mulher e teve os seguintes filhos: Tiago, José, Simão, Judas e, no mínimo, duas filhas. Esta opinião está alicerçada nos textos abaixo:
“Não é este o filho do carpinteiro? E não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas? Não estão entre nós todas as suas irmãs?” (Mateus 13.55-56; Marcos 6.3).
Corroborando essa afirmação, lemos no mesmo livro de São Mateus:
“Estando Maria, sua mãe (mãe de Jesus), desposada com José, antes que coabitassem, achou-se grávida pelo Espírito Santo. José, seu marido, sendo justo e não querendo difamá-la, resolveu deixá-la secretamente. Projetando ele isso, em sonho lhe apareceu um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber a Maria tua mulher, porque o que nela foi gerado é do Espírito Santo. José, despertando do sonho, fez como o anjo do Senhor lhe ordenara, e recebeu a sua mulher. Mas não a conheceu até que ela deu à luz um filho. E ele lhe pôs o nome de Jesus” (Mt 1.18-20, 24-25).
A expressão “ATÉ QUE” – “não a conheceu até que ela deu à luz um filho” – indica um limite de tempo. Poderíamos traduzir assim: José não manteve relações íntimas com Maria enquanto ela estava grávida de Jesus, aliás, em cumprimento à profecia: “a virgem conceberá e dará à luz um filho …” (Isaías 7.14). Isto é, até o nascimento de Jesus ela manteve-se virgem. Os romanistas interpretam o texto de forma diferente. Dizem que a abstinência de José manteve-se depois do parto de Maria. Para mim, a expressão é clara. Veja o exemplo de uma ordem de uma mãe ao filho: “Você deve ficar em casa até que eu volte”. Então, enquanto a mãe não voltar, o filho ficará em casa. A proibição alcança o tempo em que aquela mãe estiver fora de casa. Depois do seu retorno, o filho poderá sair de casa. Comparativamente, enquanto não nasceu Jesus, José respeitou a virgindade de sua mulher. Jesus realmente nasceu de uma virgem, conforme a Escritura, mas nada prova que Maria tenha continuado virgem.
Lembremo-nos, finalmente, de que Maria “deu à luz a seu filho primogênito…” (Lucas 2.7a). Primogênito, segundo o Dicionário Aurélio, diz-se “daquele que foi gerado antes dos outros, que é o filho mais velho”. Jesus foi, portanto, o filho mais velho de José e Maria, conforme Mateus 13.55-56.
A nossa análise terá como base o seguinte registro: “José, ao despertar do sono, agiu conforme o Anjo do Senhor lhe ordenara e recebeu em casa sua mulher. Mas não a conheceu até o dia em que ela deu à luz um filho. E ele o chamou com o nome de Jesus” (Mateus 1.24-25, Bíblia [católica] de Jerusalém).
A passagem acima diz claramente que José, atendendo ao anjo, recebeu em sua casa a sua esposa Maria, e foram viver como marido e mulher. Está dito que Maria foi a mulher de José; que José não conheceu a sua esposa enquanto ela estava grávida de Jesus; que Jesus nasceu de uma virgem, porque José somente conheceu sua mulher – ou seja, teve relações com ela – depois do nascimento de Jesus.
Católicos há que contestam o que está escrito na Bíblia, e dizem que “nas Sagradas Escrituras a expressão “até que” é empregada muitas vezes para indicar um tempo indeterminado, e não para marcar algo que ainda não aconteceu”. Não iremos nos estender na refutação dessa tese porque as duas bíblias de início citadas, aprovadas pelo catolicismo, interpretam corretamente referido versículo, como a seguir:
“Mas [José] não a conheceu até o dia em que ela deu à luz um filho, e ele o chamou com o nome de Jesus”: “O texto não considera o período ulterior [depois do parto] e por si não afirma a virgindade perpétua de Maria, mas o resto do Evangelho, bem como a tradição da Igreja, a supõem” (Comentário da Bíblia [católica] de Jerusalém).
Em outras palavras, os exegetas católicos, que trabalharam na edição da referida Bíblia, reconheceram o óbvio, ou seja, que até o nascimento de Jesus, José e Maria não se “conheceram”. Todavia, dizem bem quando entendem que a Tradição “supõe”, isto é, o dogma da perpétua virgindade de Maria é uma suposição, não uma realidade bíblica. O comentário acima coloca por terra argumentos outros não oficiais, segundo os quais José não conheceu sua esposa nem antes nem depois do nascimento de Jesus.
Outro comentário: “Enquanto (ou até que): esta palavra portuguesa traduz o latim donec e o grego heos ou, que por sua vez estão calcados sobre a expressão hebraica ad ki que se refere ao tempo anterior a esse limite sem nada dizer do tempo posterior, cf. Gn 8.7;Sl 109.1; Mt 12.20; 1 Tm 4.13. A tradução exata seria: “sem que ele a tivesse conhecido, deu à luz…”, pois a nossa expressão “sem que” tem o mesmo valor” (Bíblia [católica] Sagrada).
O que a Bíblia acima está dizendo em seus comentários é que o “ATÉ” não foi ALÉM do nascimento de Jesus, ou seja, enquanto grávida e até dar à luz não houve “conhecimento” mútuo do casal.
Concordando com as Bíblias Católicas, a Bíblia Apologética, usada pelos evangélicos, assim esclarece: “Veja a preposição “até” em qualquer concordância bíblica e ficará surpreso a respeito do seu significado. Observe alguns exemplos: Levíticos 11.24-25: “E por estes sereis imundos: qualquer que tocar os seus cadáveres, imundo será ATÉ à tarde”. E depois da tarde, eles permaneceriam imundos? Vejamos agora Apocalipse 20.3: “E lançou-o no abismo, e ali o encerrou, e pôs selo sobre ele, para que não mais engane as nações, ATÉ que os mil anos se acabem. E depois importa que seja solto por um pouco tempo”. Assim, a relação existente antes do nascimento de Jesus se modificou [como se modificou a situação de Satanás após os mil anos de prisão], não a conheceu até que ela deu à luz. Essa passagem declara que, depois do nascimento de Jesus, José e Maria tiveram uma vida conjugal normal, como qualquer outro casal. Nenhum autor do Novo Testamento ensina a doutrina da virgindade perpétua de Maria. Se se tratasse de uma doutrina ou ensinamento vital ou essencial como requer o catolicismo, certamente Paulo e os outros discípulos teriam mencionado a respeito. Assim resta ao catolicismo romano apegar-se à tradição, porque a Bíblia não aceita essa teoria (Colossenses 2.8)”.
A expressão “não coabitou com Maria ATÉ QUE nascesse Jesus” está muito clara. Ligada à fala do anjo que disse a José que RECEBESSE Maria, sua mulher, ficou entendido que passado o período da gravidez e do descanso depois do parto, José e Maria, marido e mulher, continuariam uma vida a dois como todos os casais do mundo. Assim aconteceu, pois tiveram muitos filhos, conforme está em Mateus 13.55-56. José e Maria constituíram um casal muito feliz e foram abençoados por Deus. E por ter filhos, por amar o seu esposo, por ter sido mãe, Maria não pecou nem perdeu a sua santidade. Maternidade e santidade podem caminhar juntas, sem que uma prejudique a outra. Sexo no casamento não é pecado.
Houve ordem divina para que José não “conhecesse” sua mulher?
Se não havia a intenção formal nem de José nem de Maria, de viverem sem relações íntimas, embora residissem sob o mesmo teto, teria havido alguma ordem divina nesse sentido? O leitor deverá ler cuidadosamente Mateus 1.18-25 e Lucas 1.26-38 para verificar a inexistência de qualquer tipo de impedimento. A resposta de Maria ao anjo – “Como é que vai ser isso, se eu não conheço homem algum?” (Lc 1.34) – pode ser interpretada como um voto de virgindade?
A Bíblia [católica] de Jerusalém, em seus comentários, responde: “A “virgem” Maria é apenas noiva (v.27) e não tem relações conjugais (sentido semítico de “conhecer”, cf. Gn 4.1; etc.). Esse fato, que parece opor-se ao anúncio dos vv. 31-33, induz à explicação do v. 35. NADA NO TEXTO IMPÔE A IDÉIA DE UM VOTO DE VIRGINDADE” (realce acrescentado).
Autor: Pr. Airton Evangelista da Costa

Extraído do site palavradaverdade.com 

4 comentários:

  1. Infelizmente este "pastor" está errado, pois nenhuma pessoa foi chamada filha Maria, a não ser Jesus, e os irmãos de Jesus, todos tem seus pais revelados nas Escrituras, não sedo nem Maria, nem José.

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  2. Caro amigo, com todo respeito ao seu ponto de vista, e sua religiosidade, pois a ideia aqui é debater ideias com respeito, você precisa ler Mateus Cap 13 Ver 55 e o Evangelho de João cap. 7 ver 5. Nestes capítulos o texto deixa claro que maria teve mais filhos, depois de jesus.
    Uma leitura inicial desses textos bíblicos parece resolver a questão: Jesus tinha irmãos e irmãs. Mas esses textos óbvios são respondidos por teólogos católicos. O argumento principal que eles têm contra esses textos bíblicos é o seguinte:

    Em grego, a palavra para irmão é adelphos, e para irmã é adelphe. Essa palavra é usada em contextos diferentes: filhos dos mesmos pais (Mt 1:2; 14:3), descendentes mais distantes (Atos 7:23, 26; Hb 7:5), os judeus como um todo (Atos 3:17,22), etc. Logo, o termo irmão (e irmã) pode se referir aos primos de Jesus, e nesse caso se refere.

    Com certeza há algum mérito nesse argumento. Porém, contextos diferentes dão significados diferentes a palavras. Não é correto dizer que, porque uma palavra tem vários significados possíveis, pode-se transferir um significado qualquer para qualquer texto que use a palavra. Em outras palavras, só porque a palavra irmão significa primo em um texto, não significa que ela tem esse mesmo significado em outro texto. Logo, cada versículo deve ser analisado em seu respectivo contexto, para determinar o seu significado.

    Vamos analisar brevemente alguns versículos que lidam com os irmãos de Jesus.

    Mateus 12:46-47 - "Enquanto ele ainda falava às multidões, estavam do lado de fora sua mãe e seus irmãos, procurando falar-lhe. Disse-lhe alguém: Eis que estão ali fora tua mãe e teus irmãos, e procuram falar contigo."

    Mateus 13:55 - "Não é este o filho do carpinteiro? e não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, José, Simão, e Judas?"

    Se, nesses dois trechos, os irmãos de Jesus não são realmente seus irmãos, e sim seus primos, então quem é a Sua mãe, e quem é o carpinteiro? Em outras palavras, mãe aqui se refere a Maria. O carpinteiro em Mt 13:55 se refere a José. Literalmente. Ainda assim, os teólogos católicos ainda dirá: "Mesmo o carpinteiro se referindo a José, e a mãe se referindo a Maria, irmãos não significa irmãos, e sim primos." Essa não parece ser uma conclusão legítima. Você não pode mudar todo o sentido contextual no meio de uma frase, a não ser que seja obviamente necessário. O contexto é claro. Esses versículos estão falando sobre José, Maria, e os irmãos de Jesus. O contexto todo é um de relacionamento familiar: pai, mãe e irmãos
    Paz em cristo!!!

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  3. QUEM SÃO OS IRMÃOS DE JESUS?



    “NÃO É ESTE O CARPINTEIRO, FILHO DE MARIA, e irmão de Tiago, e de José, e de Judas e de Simão? E não estão aqui conosco suas irmãs? E escandalizavam-se nele.” (Marcos 6, 3).



    Segundo o evangelista Marcos, Jesus teria 4 irmãos: Tiago, José, Judas e Simão, vamos ver quem são esses “irmãos”:



    1.1 Tiago



    Paulo diz que o Tiago “Irmão” de Jesus é Apóstolo:



    “Dos outros apóstolos não vi mais nenhum, a não ser Tiago, irmão do Senhor.” (Gálatas 1, 19).



    Dentre os apóstolos temos 2 Tiago’s, um filho de Zebedeu:



    "Eis os nomes dos DOZE APÓSTOLOS: o primeiro, Simão, chamado Pedro; depois André, seu irmão. TIAGO, FILHO DE ZEBEDEU, E JOÃO, SEU IRMÃO. Filipe e Bartolomeu. Tomé e Mateus, o publicano. Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu. Simão, o cananeu, e Judas Iscariotes, que foi o traidor" (Mt 10, 2-4).

    E o outro Filho de Alfeu:

    "Eis os nomes dos DOZE APÓSTOLOS: o primeiro, Simão, chamado Pedro; depois André, seu irmão. Tiago, Filho De Zebedeu, E João, Seu Irmão. Filipe e Bartolomeu. Tomé e Mateus, o publicano. TIAGO, FILHO DE ALFEU, e Tadeu. Simão, o cananeu, e Judas Iscariotes, que foi o traidor" (Mt 10, 2-4).

    Ora se Paulo fala que o irmão de Jesus é Apóstolos e dentre os Apóstolos temos 2 Tiago’s, um filho de Zebedeu e o outro Filho de Alfeu, como então algum destes Tiago’s poderia ser irmão carnal de Jesus, filho de Maria e José?

    Mas por que Jesus tem um irmão chamado Tiago? Justamente por que Alfeu também conhecido como Cleófas segundo o historiador Hegesipo era irmão de José pai de Jesus, e ambos são filhos de HELI (Lucas 3, 23). Logo os primos eram “irmãos” seguindo a língua hebraica, apesar do Novo Testamento ser escrito em Grego o que veremos mais adiante.

    1.2 - Judas



    Judas (tadeu) “irmão” de Jesus era irmão de Tiago, como ele mesmo diz:

    “Judas, servo de Jesus Cristo e irmão de Tiago,..." (Judas 1,1)

    Judas era também conhecido como Judas Tadeu, assim se ele é irmão de Tiago Menor, ele é também filho de Alfeu:

    “Filipe e Bartolomeu. Tomé e Mateus, o publicano. Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu.” (Mateus 10, 3)

    Logo tanto Tiago quando Judas eram todos filhos e Alfeu (Cleófas), portanto primos de Jesus.

    1.3 - José

    José também é filho de Maria de Cleófas a mesma mãe de Tiago:

    “Havia ali também algumas mulheres que de longe olhavam; tinham seguido Jesus desde a Galiléia para o servir. Entre elas se achavam Maria Madalena e Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu.” (Mat 27, 55-56)

    Mais uma vez José é filho de Maria de Cleófas e irmão de Tiago (o suposto irmão carnal de Jesus).



    1.4 - Simão

    Se Tiago, José e Judas são todos filhos de Cleófas (Alfeu), a dedução lógica é que ele também é filho de Cleófas.

    Logos todos os supostos “irmãos” de Jesus, são na realidade filhos do Tio dele.

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  4. SOBRE AS PALAVRAS “IRMÃO” E “PRIMO”, SEGUNDO O GREGO E O HEBRAICO.



    Apesar dos Evangelhos nos darem claras provas que os supostos irmãos de Jesus na realidade eram primos, protestantes ainda argumentam que não teria por que eles serem chamados de “irmãos”, já que o Novo Testamento foi escrito em Grego, e no Grego existe a palavra “primo”.

    Embora no Grego exista realmente a palavra “primo”, os escritores do NT eram hebreus e falavam Hebraico e Aramaico e escrevendo os evangelhos seguiram a lógica da sua língua materna, pois no hebraico não temos a palavra “primo”, então “Irmão” e “irmã” são usados para designar primos e outros parentes.

    A palavra hebraica “há”, e a aramaica “aha”, são empregadas para designar irmãos e irmã do mesmo pai, e não da mesma mãe (Gn 37, 16; 42,15; 43,5; 12,8-14; 39-15), sobrinhos, primos, irmãos (1 Cr 23,21), primos segundos (Lv 10,4) e até parentes em geral (Jó 19,13-14; 42,11). Claro que o Novo testamento foi escrito no Grego e não no Hebraico ou Aramaico (com exceção de Mateus) e no grego temos a palavra primo que é ἀνεψιόςque pode também ser traduzida como SOBRINHO. Contudo os autores do NT seguindo a lógica judaica usavam a palavra “irmão” (adelphos) para se referir aos primos, prova disso é que a palavra grega “primo” (ἀνεψιός) ocorre apenas 1 vez no Novo Testamento em:

    “Saúda-vos Aristarco, prisioneiro comigo, e Marcos, primo de Barnabé (sobre quem recebestes instruções; se ele for ter convosco, acolhei-o).” (Colossenses 4, 10)

    Só que em outras traduções vem da seguinte forma:

    “Aristarco, que está preso comigo, vos saúda, e Marcos, o sobrinho de Barnabé, acerca do qual já recebestes mandamentos; se ele for ter convosco, recebei-o;” (Colossenses 4, 10)

    Ora, não existiu nenhum primo no Novo testamento a ponto da palavra grega correspondente a “primo” ser utilizada somente uma vez, podendo também significar “sobrinho”?

    Logo fica claro que nenhum autor do Novo Testamento usou a palavra grega ἀνεψιός (primo) para se referir aos primos de Jesus, e sim seguindo a lógica do próprio hebraico usaram a palavra “adelphos” (irmão) para designar os seus primos, doutra forma seria colocar a bíblia de cabeça para baixo como fazem os protestantes com sua Tiagomania.

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